Opinião: Crianças e tecnologia

17 de novembro de 2014 – Fonte: Gazeta do Povo (PR)

“O papel da escola é o de fornecer os aparatos tecnológicos, enquanto os professores devem utilizá-los de maneira eficaz no ensino”, afirma Marisete Bolzani
Segundo uma pesquisa da AVG Technologies, 57% das crianças de até 5 anos usam com facilidade aplicativos em smartphones, mas somente 14% sabem amarrar os sapatos. As crianças, hoje, têm acesso à tecnologia de várias formas. Elas brincam com o celular dos pais, muitas delas têm seu próprio tablet, elas ligam e desligam videogames sozinhas e usam computador com muita facilidade. O desafio dos pais e da escola é direcionar para o aprendizado toda essa facilidade no manuseio das ferramentas tecnológicas.

Tanto as crianças de hoje quanto as do passado adoram bicicleta, correr e jogar bola, assim como interagir com os colegas. A diferença é que hoje elas têm outras ferramentas para se distrair, brincar e aprender que não existiam há alguns anos. A criança é a mesma; o que mudou são os objetos aos quais ela tem acesso.

Os pequenos imitam o comportamento do adulto. No passado, eles usavam, por exemplo, papel e caneta, como os pais e adultos à sua volta faziam. Se hoje os smartphones e tablets fazem parte da rotina da família, não é difícil imaginar por que eles exercem tanto fascínio entre as crianças. E as empresas, de olho nesse mercado, oferecem cada vez mais opções de entretenimento não só para os pais, mas também para os filhos.

Certamente as novas tecnologias são ferramentas riquíssimas de ensino e aprendizagem, se usadas de maneira correta. Entretanto, o aparelho eletrônico não substitui o professor, nem o esforço do aluno. Com a tecnologia, surgem novas formas de ensinar e aprender, mas a escola, o professor e os pais devem estar preparados e cada um tem um papel importante.

O papel da escola é o de fornecer os aparatos tecnológicos, enquanto os professores devem utilizá-los de maneira eficaz no ensino. E cabe aos pais, em casa, controlar o uso excessivo, evitando, por exemplo, a troca de atividades físicas – tão importantes no desenvolvimento da criança – pela distração no celular.

No entanto, quando se joga com a tecnologia a favor da educação, são muitos os pontos positivos, como a rapidez em acessar a informação desejada, a riqueza de cores e movimentos e a interatividade. Por isso, ela é uma grande aliada no processo educativo, como complemento do material didático e ferramenta pedagógica. As novidades tecnológicas devem conviver ao lado de seus “primos” mais velhos, o lápis e o papel, e seu valor educativo tem de ser visto como uma oportunidade de novas experiências para as crianças.

*Marisete Bolzani é diretora de educação infantil da International School of Curitiba (ISC)

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