Voltada a adultos, animação traz revisão pop de história do Brasil

 

Mário Barra  – Do UOL, em São Paulo – 05/04/2013

 

  • Divulgação / Europa FilmesCena da animação "Uma História de Amor e Fúria", de Luiz BolognesiCena da animação “Uma História de Amor e Fúria”, de Luiz Bolognesi

Seis séculos de lutas no passado e no futuro são o pano de fundo da proposta de releitura histórica e pop do Brasil feita por Luiz Bolognesi com “Uma História de Amor e Fúria”, longa que estreia nesta sexta-feira (5) nos cinemas brasileiros.

Estilo raro no Brasil, a animação adulta serve ao propósito de romancear passagens significativas de nossa história como os conflitos no sudeste que passaram aos livros com o nome de Confederação dos Tamoios ou a revolta da Balaiada, em meados do século 19 no Maranhão.

Longe de apresentar um retrato simplista daquilo que é pouco presente na memória do brasileiro, o filme serve muito mais para mostrar uma versão diferente da narrativa oficial.

Uma História de Amor e Fúria (2012)

Cena do filme “Uma História de Amor e Fúria”, de Luiz Bolognesi. A animação voltada para o público adulto traz a história de homem que vive durante 600 anos da história brasileira, chegando a testemunhar a degradação do Rio de Janeiro em 2096. Em sua trajetória, o guerreiro busca o amor de Janaína, um ideal de mulher que sempre encontra abrigo em moças de personalidade forte e batalhadoras. O longa tem vozes de Selton Mello, Camila Pitanga e Rodrigo Santoro Divulgação / Europa Filmes

Sem se enveredar pelo rigor acadêmico ou simplificar os fatos para facilitar a compreensão dos espectadores, a animação relembra o sofrimento envolvido em passagens negativas como a repressão durante o período de ditadura militar e a degradação de um Rio de Janeiro futurista, entregue a milícias e ao racionamento de água em 2096.

Mas ainda que Bolognesi tenha evitado ser maniqueísta ao abordar a antagonismo entre o guerreiro — com voz de Selton Mello — e o espírito do mal Anhangá, há uma linha clara entre o sentimento de justiça representado pelo herói e a opressão de autoridades e malfeitores de toda a sorte ao longo do filme.

Ao lado da guerra “justa” do protagonista que sempre ressuscita, está o amor que o homem-fênix sente por Janaína, um modelo de mulher que reaparece na longa vivência do herói de tempos em tempos, sempre no corpo de uma mulher lutadora e idealista. Com voz de Camila Pitanga, a personagem serve como um guia para personagem principal não perder o foco de sua eterna batalha.

Ao todo, são quatro épocas diferentes nas quais o protagonista aparece, cada com seus atores sociais específicos. Cenas de morte fortes e o braço quebrado do Cristo Redentor dão o tom para a classificação indicativa de 12 anos que esta produção recebeu. Ainda que desenhado com traços sutis e rostos amistosos, o longa não representa uma produção voltada ao público infantil.

Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Print this page
Print
Email this to someone
email

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *