Preço alto pode dificultar negociação de venda da Abril Educação

Bárbara Ladeia – iG São Paulo | 

Enquanto sócios pedem cerca de R$ 48 por unit, pacote de ações da empresa é negociado a R$ 30 no mercado de capitais

O mercado das empresas ligadas a educação segue em ritmo de consolidação. Agora é a vez de a Abril Educação ganhar destaque no setor, graças às “tratativas preliminares” com investidores, possíveis interessados abocanhar uma fatia da companhia.


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Para Carlos Monteiro, sócio da CM, consultoria voltada para o mercado de educação, “o negócio só não saiu ainda por causa do preço”. A Abril estaria querendo aproximadamente R$ 48 reais por unit, cujo pacote seria composto por duas ações preferenciais, com direito a voto, e uma ordinária. O valor parece distante do que o mercado enxerga para a empresa – nesta quinta-feira (13), a unit encerrou o dia cotada a R$ 30. “O valor que eles pedem está muito acima do mercado”, explica.

Entre os possíveis interessados, está o grupo de investimentos Carlyle, que já é dono de sete empresas no Brasil. Para Monteiro, é pequena a chance de conseguirem fechar negócio neste preço. “Quando fundos compram empresas assim, não é para ficar com elas para a eternidade, então fazem questão do mais baixo preço possível, para conseguirem ganhar na valorização”, aponta.

No entanto, se outro perfil de investidor estiver em jogo, o negócio pode sair. Esse seria o caso da Laureate International Universities, que também tem sido mencionada como uma das interessadas – embora a Abril Educação negue quaisquer tratativas com os americanos. “A Laureate vem para ficar no Brasil, já que nenhum outro país está com o mercado de educação tão aquecido. ”

Para quem observa o mercado de educação – e todo o potencial econômico que ele guarda –, pode parecer pouco coerente desfazer-se de uma participação em uma empresa consolidada há pouco tempo, com a aquisição recentes como a rede Wise Up, o Centro Educacional Sigma, Escola Satélite, entre outros.

As aquisições serviram justamente para agregar valor à empresa. A oportunidade é vantajosa, uma vez que existem competidores interessados em consolidar grandes empresas e há um desinteresse da família Civita na Abril Educação, segundo Monteiro. “Parece-me que eles estão querendo sair deste negócio para concentrar suas energias no negócio de mídia, que é o real negócio da família.” A venda, explica Monteiro, poderia representar uma forma de capitalizar os sócios na direção de maiores investimentos no mercado digital.

Abril Educação não nega tratativas, mas afirma não ter conversado com a Laureate

Nesta quinta-feira (13), a empresa precisou prestar esclarecimentos à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), depois de uma reportagem publicada pelo “Valor Econômico”, informando sobre uma possível negociação de uma fatia de até 25% do controle acionário da empresa, ao preço de R$ 45 por unit. A reportagem também apontou os fundos Carlyle, KKR & Co. e o grupo Laureate como os principais interessados.

De todas as informações, nada foi negado pelo comunicado da empresa – exceto que havia tratativas com Laureate International Univesities. A Abrilpar, controladora da Abril Educação, negou ter conversado com a instituição. Para Monteiro, a união é pouco provável. “Seria o primeiro investimento da Laureate em outros ramos da educação, fora das universidades.”

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