Disputas políticas, greves e cortes paralisam Ministério da Educação

 Folha de São Paulo – GUSTAVO URIBEFLÁVIA FOREQUEDE BRASÍLIA

A assessores, ministro Renato Janine Ribeiro tem reclamado de interferências em seu trabalho

Volta de Mercadante à pasta está em análise; chefe da Casa Civil e Lula têm representantes de confiança no Mec

A greve nas universidades federais, o corte de R$ 10,2 bilhões no orçamento e as disputas políticas dificultam a gestão do ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, há cinco meses no posto.

Além da possibilidade de ter seu comando alterado na reforma administrativa em estudo, a pasta tornou-se palco de disputa por espaço entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

Em conversa com aliados, segundo relatos à Folha, Janine tem reclamado da falta de autonomia e da influência da Casa Civil. Segundo assessores, há interferência de Mercadante em temas como a paralisação de docentes e o Ciência sem Fronteiras.

O ministro nega ter criticado Mercadante (leia texto abaixo), mas as queixas foram confirmadas por cinco interlocutores de Janine.

Mercadante deixou o MEC em 2014, mas manteve um aliado: o secretário-executivo Luiz Cláudio Costa, com quem despacha semanalmente, segundo apurou a reportagem. Ao mesmo tempo, ele mantém entre seus auxiliares dois ex-secretários do ministério.

Para marcar posição, Lula indicou para a chefia de gabinete de Janine um assessor próximo, o ex-secretário-executivo do Ministério das Comunicações Cezar Alvarez.

Dilma assumiu seu segundo mandato sob o lema de construir uma “Pátria Educadora”. Janine tomou posse na pasta em abril, após a saída conturbada do ex-governador do Ceará Cid Gomes. Professor de filosofia da USP, seu nome teve o apoio do ex-presidente, insatisfeito com o poder de Mercadante.

Com o agravamento da crise política, no entanto, a presidente Dilma Rousseff estuda tirar Mercadante da Casa Civil, como revelou a Folha na sexta (11). Segundo ministros e assessores, ela considera colocá-lo no lugar de Janine.

Cid esteve à frente do MEC por pouco mais de dois meses. Lançou ideias como o Enem digital e a capacitação de diretores de escolas públicas.

A verba escassa freou as medidas. A proposta piloto de um Enem digital, apenas para treineiros, deve ser adiada para o próximo ano. Já um programa para os diretores ainda não saiu do papel.

EXPERIÊNCIA

Para críticos de Janine, falta experiência na gestão pública e empenho em acompanhar programas da pasta. Eles avaliam que o ministro não compôs equipe própria –o secretariado é formado principalmente por nomes que estavam nas gestões anteriores.

No entanto, aliados alegam que Janine é deixado em segundo plano. Desde que assumiu, o ministro teve três audiências com a presidente. O antecessor, que permaneceu pela metade do tempo, foi recebido duas vezes.

Dilma, aliás, não se posicionou publicamente sobre estudos do ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) na área da educação, o que deixou Janine desconfortável –ele não foi consultado.

Mangabeira prepara documento com mudanças no currículo da educação. A construção de uma base nacional comum é um dos pontos do Plano Nacional de Educação, acompanhado pelo MEC.

 

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