Professores reclamam de falta de tecnologia nas escolas do país

 Folha de S.Paulo – FLÁVIA FOREQUEJÚLIA BORBADE BRASÍLIA 

Pesquisa internacional mostra que 48,8% dos docentes brasileiros têm acesso ruim à internet

Representante de secretários de Educação diz que conexão chegou em muitas áreas, mas qualidade é precária

Acesso à internet e ferramentas digitais parecem intrínsecos à rotina moderna. Mas em salas de aula no Brasil, essa não é uma realidade.

Pesquisa da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 34 países revelou índice elevado de insatisfação de professores e de docentes com o uso de ferramentas tecnológicas na aprendizagem.

As perguntas da Talis (sigla em inglês para Pesquisa Internacional Sobre Ensino e Aprendizagem) foram feitas entre 2012 e 2013 e se aplicam à rotina de escolas públicas e privadas dos anos finais do fundamental (6º ao 9º ano).

De acordo com o Inep (órgão responsável por aplicar o teste no Brasil e subordinado ao Ministério da Educação), as respostas da amostra de 14,2 mil professores e de cerca de mil diretores refletem a realidade nacional.

Os dados mostram que quase metade dos professores (48,8%) dessa etapa do ensino afirmam ter “acesso à internet insuficiente”. Esses docentes atuam em escolas onde, segundo os diretores, o fator prejudica “até certo ponto” ou “muito” a oferta de ensino de qualidade.

Outros 45% apontam “escassez ou inadequação” de computadores. Entre os Estados brasileiros, há variações.

No caso do Maranhão, a ausência de equipamentos ultrapassa 75% dos casos.

O índice capta exclusivamente a realidade de escolas municipais e estaduais.

Presidente da Undime (entidade que representa os secretários municipais de Educação), Cleuza Repulho afirma que houve melhorias nos últimos anos, mas o acesso à internet de qualidade ainda é precário em muitas escolas.

O programa do governo federal para levar conexão às escolas públicas, chamado “Banda Larga nas Escolas”, foi lançado em 2008, mas não há prazo para sua conclusão.

Dados do Ministério das Comunicações mostram que o projeto conseguiu conectar 92,24% do colégios.

Os entraves agora, segundo a pasta, estão concentrados em problemas de infraestrutura das escolas (que impede a instalação da rede) ou no descumprimento de prestadoras de telefonia, que mesmo notificadas sobre as escolas desconectadas não completaram as instalações.

Repulho aponta ainda certa dificuldade dos professores em adotar esse recurso como rotina em sala de aula.

“Ainda tem muito de ‘vamos para o laboratório de informática’. Poucas são as redes onde a internet faz parte do cotidiano. Não é fácil fazer a transposição.”

Diretora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, Lívia Borges pondera que o ambiente escolar “leva tempo maior para assimilar as tecnologias que chegam à sociedade”.

Para ela, as limitações do uso das tecnologias se devem principalmente à carência de apoio técnico nas escolas e de tempo limitado dos docentes para se aprimorarem.

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