LIVROS DIGITAIS DEVEM CHEGAR A 2,6% DO MERCADO

17 de fevereiro de 2013  – O Estado de S.Paulo

Na discussão sobre a sobrevivência das livrarias, uma pergunta que sempre aparece é: será que o livro de papel vai perder a importância com a chegada do livro eletrônico (e-book)? Apesar de ninguém saber a resposta, está evidente que começa no Brasil um movimento importante em torno dos e-books.

No ano passado, chegaram ao País a loja de livros eletrônicos da Amazon (com seu aparelho Kindle), o e-reader Kobo/Cultura (parceria entre a Livraria Cultura e a japonesa Rakuten) e a seção de livros do Google Play, a plataforma do Android. Elas devem colaborar para que 2,6% das vendas totais de livros no Brasil em 2013 sejam de e-books, segundo o consultor editorial Carlo Carrenho. Essa porcentagem corresponderia a 3,5 milhões de unidades vendidas.

“Com certeza, os livros digitais vão canibalizar as vendas dos físicos”, diz Carrenho. Para o consultor, porém, o preço dos e-books deve cair. Com isso, as editoras tendem a vender uma quantidade maior de livros, se somadas as vendas físicas e as digitais. “A canibalização não será de 100%.”

Retorno. Os livreiros, de qualquer modo, estão cientes da força que o digital está ganhando em relação ao papel – ainda que não exista clareza quanto ao impacto dos e-books nos negócios.

“Está todo mundo perdendo dinheiro no momento”, diz Sergio Herz, da Livraria Cultura. “Se tudo der certo, em dois ou três anos teremos o retorno do investimento. Mas isso é um chute. Estamos todos aprendendo.”

A Cultura começou a apostar em livros digitais em 2002, com o formato pdf, sem grande sucesso. Em 2010, a empresa passou a oferecer livros no formato e-pub (específico para e-books). Houve crescimento nas vendas, mas pouco. Em 2012, a empresa abandonou seus esforços anteriores na área de e-books e firmou parceria com a marca Kobo, que, além de plataforma para leitura em dispositivos móveis, tem e-reader e tablet. As vendas dispararam, segundo Herz.

Apesar de pequenos avanços, o futuro do setor ainda é uma incógnita. “O que vai acontecer eu não sei, mas acho que o prazer que as pessoas têm com a tecnologia pode fazê-las voltar a ler”, diz Seibel, da Livraria da Vila. A livraria também vende o Kindle, da Amazon.

Igualmente sem reposta, neste momento, é o tempo de vida do livro físico. “Mas é aquela história… Quando a TV surgiu, o medo era de que o cinema ia acabar. E o que você vê agora?”, pergunta Seibel. / N.F.

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