BRASIL NÃO CUMPRE METAS PARCIAIS DE DISTORÇÃO IDADE-SÉRIE

Todos pela Educação –  06 de março de 2013

Taxa de conclusão do Ensino Fundamental aos 16 anos registrada em 2011 foi de 64,9%, bem abaixo da meta de 72,9%

Brasil não cumpre metas parciais de distorção idade-série
João Bittar/MEC
O Brasil não cumpriu as metas intermediárias relativas à Meta 4 do Todos Pela Educação, que estabelece que, até 2022, 95% ou mais dos jovens brasileiros devem ter concluído o Ensino Fundamental até os 16 anos e, no mínimo 90%, o Ensino Médio até os 19 anos.

A taxa de conclusão do Ensino Fundamental aos 16 anos registrada em 2011 foi de 64,9%, bem abaixo da meta traçada para este ano, que era de 72,9%. Já a taxa do Ensino Médio finalizado aos 19 anos foi de 51,1%, sendo que a meta parcial era de 53,6%.

Os dados fazem parte do relatório De Olho nas Metas 2012, o quinto relatório de monitoramento das 5 Metas do Todos Pela Educação (leia mais aqui), divulgado hoje. A base de informações utilizada foi a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011, publicada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o relatório, somente a região Centro-Oeste conseguiu cumprir a sua meta intermediária para o Ensino Fundamental. A taxa parcial, que era de 74,1%, foi superada por um índice de 74,3%. Já para o diploma do Ensino Médio até os 19 anos, além da região Centro-Oeste, que chegou a 58,4%, para meta de 53%, a região Nordeste cumpriu a meta de 39.5%, ao chegar a um índice de 41,4%.

Observando as unidades da Federação, encontra-se apenas um estado acima das metas para as duas etapas de ensino: o Mato Grosso. Por outro lado, quatorze outras unidades não conseguiram atingir as metas parciais nem do Fundamental nem do Médio. São eles Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.

O relatório ainda revela mais um agravante: o Brasil está, progressivamente, se distanciando das metas projetadas pelo movimento ao longo do tempo. Houve uma piora em relação à publicação anterior, relativa a dados de 2009 – naquele ano, o País havia atingido as metas parciais nas duas etapas de ensino.

O De Olho nas Metas 2011 também revelou que o fluxo escolar é um dos principais desafios da Educação brasileira na próxima década. O texto apontara que o País pode não atingir as metas de conclusão do Ensino Fundamental e Médio até 2022, caso não encontre uma solução para questões problemáticas relativas ao atraso escolar, como ingresso tardio, a repetência e o abandono.

“Estamos estacionados”, sintetiza Ruben Klein, consultor da Fundação Cesgranrio e membro da Comissão Técnica do Todos Pela Educação. “Não estamos olhando para os anos finais do Ensino Fundamental e não se ‘ataca’ o Ensino Médio sem antes olhar justamente para o Fundamental II. Todo o investimento tem sido feito no primeiro ciclo e não se aumenta a taxa de conclusão da etapa como um todo se focarmos apenas em uma parte dela.”

Para o pesquisador, é necessário um esforço para que os alunos concluam o Ensino Fundamental com aprendizado adequado porque somente assim o País passará a sentir os efeitos disso na etapa seguinte.

Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação, pede urgência nas discussões para mudar a última etapa da Educação Básica. “O Ensino Médio é a porta de saída de uma longa trajetória. Se o aprendizado está baixo e os alunos não estão concluindo a etapa, estamos falhando em todo o processo”, afirma. “É preciso mudar a sua estrutura curricular, que é muito fragmentada e inchada. São treze disciplinas obrigatórias, o que é muito. Os jovens não veem sentido no que é oferecido.”

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