Tecnologia na educação cria mercado brasileiro de programa didático 3D

Felippe Constancio, do R7 – publicado em 28/04/2013

Livros-aplicativo já são usados em três capitais brasileiras 

evobooksDivulgação –  O R7 testou o aplicativo que permite ao aluno explorar uma mitocôndria em todas as dimensões

A chegada de tablets às escolas públicas de ensino médio no próximo semestre e a introdução de tecnologia de ponta e lousas digitais em escolas particulares de todo o Brasil estão abrindo espaço à criação de conteúdos curriculares 3D.

Mais do que simplesmente digitalizar um livro, o Brasil agora precisa de editoras digitais que ofereçam um conteúdo curricular interativo, conta Carlos Grieco, um dos fundadores da EvoBooks, que produz “livros 3D”.

— As startups (empresas inovadoras de internet) estão se voltando ao mercado educacional a fim de dar instrumento para o professor aprimorar a aula.

A EvoBooks, ainda sem concorrente direto, já aproveita o nascente mercado da educação digital brasileiro com livros-aplicativo que combinam a beleza gráfica dos games 3D com matérias como química, geografia, biologia e história.

R7 testou o aplicativo que permite ao aluno explorar uma mitocôndria em todas as dimensões e constatou que o aprendizado fica mais fácil com a visibilidade tridimensional. É possível rodear uma célula por todos os ângulos e com isso evitar uma abstração equivocada da estrutura celular, por exemplo.

Grieco, contudo, chama a atenção para o alívio no trabalho do professor.

— O material alivia um trabalho recentemente dado ao professor de buscar conteúdo a ser usado em dispositivos como os tablets.

Com a tecnologia 3D em classe, as aulas podem ficar mais interessantes e contar com projetos inovadores, como conta o diretor geral do colégio paulistano Marista Arquidiocesano, Ascânio João Sedrez.

— Temos um projeto importante com Itunes e uso de tablets. O colégio tem tablets e agora volta os recursos as um projeto de astronomia.

Por parte das escolas, uma editora digital pode significar avanço na qualidade da aula sem aumento de custos. Uma vez que a educação off line não depende da banda larga, uma escola com limitações estruturais pode dar aulas de química por meio de um aplicativo de laboratório, ao passo que não precisa custear a manutenção de um laboratório real.

Aplicação

Apesar de o governo federal distribuir os mais de 600 mil tablets a professores das redes estaduais somente a partir do segundo semestre deste ano, governos municipais de São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus já introduzem a tecnologia 3D em classe.

Grieco conta que os aplicativos da EvoBooks foram implementado no Gente (Ginásio Experimental de Novas Tecnologias Educacionais), da prefeitura do Rio.

— Lá a prefeitura trabalha com o projeto de escola modelo para o futuro, usando a tecnologia educacional.

A primeira edição do Gente funciona na escola municipal André Urani, na Rocinha, com capacidade inicial para atender 180 alunos do 7º ao 9º anos.

Já em Manaus, com o uso da internet, professores conectados em um centro de mídias têm a possibilidade de dar aulas para quase 38 mil alunos em todo o Estado usando os programas educacionais 3D.

Em São Paulo, o material tem caráter inclusivo, onde alunos surdos do colégio Instituto Santa Terezinha aproveitam a exploração visual para compensar a falta da memória auditiva.

A preço de livro, os aplicativos custam cerca de R$ 30 e abordam temas exigidos no Enem e no SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica).

Sobre as perspectivas do mercado de tecnologia didática, Grieco aposta que tendência de queda de preço do tablet, o que deve contribuir para a universalização do livro-aplicativo. Ele leva em conta também o cenário mundial, no qual o número de tablets vendidos deve ultrapassar o de notebooks tradicionais em 2014.

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