Rio aposta em modelo pioneiro de ensino

Bárbara Bretanha – Especial para o Estado – 25 de abril de 2014

Comportamentos como autogestão e perseverança fazem parte do currículo de escolas na cidade

RIO – Os alunos do ensino médio do Colégio Estadual Chico Anysio, na zona norte do Rio de Janeiro, foram os primeiros a experimentar um novo tipo de escola. Além de matérias clássicas, como matemática e português, os alunos aprendem autogestão e desenvolvimento pessoal, entre outras habilidades que muitos adultos só descobrem na primeira entrevista de emprego.

Estimular o aluno a desenvolver perseverança e autonomia, habilidades não cognitivas, que antes ficavam por conta da família – ou do acaso – passaram a ser função do professor. O projeto pioneiro foi implantado pela secretaria de Educação do Estado em parceria com o Instituto Ayrton Senna (IAS) em 2013. Esse ano, cinco outras unidades de ensino aderiram ao modelo – que pretende melhorar notas, diminuir a evasão escolar e preparar os alunos para o mercado de trabalho e para a vida em sociedade.

“Esse projeto é fruto de uma necessidade identificada não só na rede estadual, mas em todo o Brasil”, afirma o subsecretário de gestão da rede de ensino da Secretaria de Estado de Educação do Rio, Antonio Vieira Neto. Em 2009, o Rio foi o penúltimo colocado no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) realizado nos 27 Estados do País. “Em cada dez alunos, seis tinham três ou quatro anos de atraso escolar”, afirma Vieira Neto, “O ensino médio não era atrativo, não era eficiente e não gerava projeção. A população encontrava um serviço muito ruim. Isso é um motor muito poderoso para a evasão.”

Em 2010, a secretaria realizou um levantamento dos problemas e criou um currículo mínimo, baseado nas lacunas identificadas, e instituiu avaliações bimestrais. No ano seguinte, o Rio subiu 11 posições e ficou em 15º lugar, entre as 27 redes estaduais. A taxa de evasão caiu de 16,5% para 14,4%. A mudança não foi suficiente. “Precisávamos de outro modelo de ensino médio”, diz o subsecretário. A rede fechou uma parceria com o Instituto Ayrton Senna (IAS) com o objetivo de trabalhar a educação em múltiplas dimensões, não apenas a cognitiva.

Futuro. “As habilidades não cognitivas influenciam no salário, estabilidade familiar, no envolvimento com drogas e violência, ingresso na faculdade, tempo de desemprego e outros fatores”, diz o economista Daniel Santos, coautor do Senna, instrumento de avaliação de aprendizado não cognitivo, elaborado em parceria com o IAS. A nova ferramenta pretende orientar políticas públicas. “Dá para descobrir os bolsões de atraso socioemocional, o que ajudará a intervir e entender por que algumas escolas não conseguem atingir as metas de aprendizado”, afirma Santos.

“Não é simples entrar num projeto dessa natureza”, diz Vieira Neto. “Trata-se de um modelo mais caro, com investimento maior por aluno.” A estratégia adotada pela secretaria é de longo prazo. No lugar de construir novas unidades, escolas tradicionais serão adaptadas – até 2015, 40 unidades devem passar pelo processo.

Não existe uma disciplina específica para o aprendizado não cognitivo como existe para matemática. “Esses atributos de personalidade podem ser estimulados no cotidiano escolar”, diz Mozart Neves Ramos, diretor de articulação do IAS. Na Chico Anysio, a grade curricular compreende atividades como o “Projeto de Vida”, no qual os alunos discutem objetivos futuros e como alcançá-los.

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