Projeto dá aulas de empreendedorismo pirata

Porvir – 26/02/13 – 

“Ter uma visão empreendedora não é simplesmente criar um negócio ou montar um empresa. É necessário dar um passo atrás: desenvolver, primeiramente, uma atitude empreendedora.” Quem defende esse princípio é o designer Daniel Larusso, 28, que mora em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. No ano passado, ao lado de mais dois amigos, decidiu criar a Estaleiro da Liberdade, escola livre que se baseia no empreendedorismo pelo autoconhecimento. “Só que pirata, com ênfase no ‘pirata’”, reforça Larusso. “É um aprendizado que acontece por meio de uma viagem para dentro como uma forma de tornar os alunos mais seguros e destemidos nesse mar de liberdade. E é ai que entra nossa versão pirata de autoconhecimento”, completa. Rumo à sua terceira edição, o curso está com inscrições pré-abertas para as aulas que iniciam em junho.

As aulas não são oferecidas de modo tradicional, em uma sala de aula, tampouco para muitos estudantes. A turma não ultrapassa doze “marujos” – como são chamados os participantes. Os facilitadores também não chamados de professores; são piratas. “É uma escola porque é um lugar de aprendizado, que reúne quem quer aprender, dar um pause ou um fast forward na vida. Mas o problema da gente usar essa palavra é que, hoje, ela já vem com um monte de outras ideias: curso, professor, aluno, aula, currículo, nota. Não tem nada disso aqui”, afirma.

 

Jeremie78 / Fotolia.com

 

A proposta é que os “piratas” auxiliem a turma de “marujos” a se descobrir, experimentar e criar de forma livre. Para tornar isso possível, durante três meses são realizados encontros no Hub Liberdade – espaço que abriga projetos e empresas com impacto social positivo. Os participantes têm acesso irrestrito ao ambiente, onde trabalham simultaneamente vários empreendedores. Uma vez por semana, em dia e horário acordado pelo grupo de estudantes, eles se reúnem em círculos de conversas, vivenciam práticas de liderança, discutem os projetos e recebem orientação.

“O Estaleiro é uma escola livre, onde o aprendizado é intenso pelas interações, trocas mútuas e autonomia ao construir o próprio caminho.”

De acordo com Larusso, os encontros procuram atender às necessidades individuais e do grupo e buscam trabalhar a inteligência coletiva. “Nossos encontros semanais são uma concentração de energia e força para fazer as coisas acontecerem”, diz.

Além do contato permanente com esses profissionais, os jovens também participam de workshops e metodologias, por exemplo, sobre o uso do crowdfunding e crowdlearning – palavras, que deveridas de crowd, significam multidão em inglês, e, aos poucos, começam a fazer sentido para jovens brasileiros, que estão criando esses novos canais para aprender e compartilhar recursos (learning), como o Nós.vc, ou para ajudar a arrecadar dinheiro e dar vida a projetos coletivos (funding), como oCatarse. “O Estaleiro é uma escola livre, onde o aprendizado é intenso pelas interações, trocas mútuas e autonomia ao construir o próprio caminho. Trabalhamos, e nos divertimos, com colaboração e abertura. É assim que criamos uma cultura de abundância e cooperação ao invés de escassez e concorrência”, diz Larusso.

Antes de tirar o Estaleiro do papel, Larusso e os confundadores do projeto, André Amaral e André Cabral foram unidos por iniciativas de empreendedorismo em comum entre eles, partindo principalmente da preocupação sobre a importância de serem criados mais espaços de aprendizagem para além da universidade e sala de aula. Inclusive, para investigar o que há de inovador na área, Amaral, que é cofundador do Semente de Negócios, empresa com foco em educação empreendedora, e Cabral,  sócio-fundador da Engage, voltada a projetos de colaboração, visitaram escolas de empreendedorismo e liderança no mundo: a dinamarquesa KaosPilots e holandesa Knowmads.

Herói postal

No ano passado, durante a primeira turma, cinco jovens construíram seus projetos no Estaleiro da Liberdade – embora essa não seja necessariamente uma exigência para participar do curso. Um deles é o Herói Postal, site lançado semana passada. A plataforma transforma e-mails em cartas, dando vida às mensagens que são enviadas aos seus destinatários fisicamente. Cada correspondência custa R$10, no qual o valor é repartido entre a plataforma e quem escreve.

A prática permite gerar renda para pessoas hospitalizadas. É o caso da mineira Nirlei Pedroso Silveira, 44, que descobriu ter uma doença genética que se manifesta nessa idade causando enfisema pulmonar e agora está fila à espera de um transplante de pulmão. “Participar do projeto me fez perceber que ser um Herói Postal tem um lindo papel de unir universos e pessoas que estão distantes”, afirma Nirlei na plataforma.

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