Professor que participou da criação do Enem critica rumos do exame

Do G1 PE – 18/03/2013 

Pernambucano Nílson Machado é titular da Universidade de São Paulo.
Ele acha que Enem não deveria servir para criar ranking de escolas. 

Um dos integrantes do grupo que criou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em 1997, acha que o exame mudou muito e que o sistema de ensino está educando os alunos apenas para prestarem exames vestibulares. O pernambucano Nílson Machado, professor da Universidade de São Paulo (USP), diz que não é finalidade da educação básica preparar para o vestibular. “É para formar o cidadão, e nem todo cidadão vai para a universidade. A gente perde o foco da formação da pessoa e da formação ao final da educação básica, que é o que interessa universalizar”, comenta.

Nílson está no Recife para ministrar uma palestra nesta segunda-feira (18), na Livraria Cultura do Shopping Rio Mar, no bairro do Pina, Zona Sul. A proposta é discutir as novas competências e organização na área escolar. O evento é aberto ao público, mas as vagas são limitadas, por causa da capacidade do teatro, que é de 180 pessoas.

O professor fez parte, em 1997, do grupo formado por quase 50 pessoas que criou o Enem. Hoje, 16 anos depois, Nílson, que é doutor em filosofia, critica o quadro de classificação de escolas feito a partir dos resultados do Exame. “O Enem não é uma prova com sensibilidade para, num universo de, digamos, 20 mil escolas, dizer quem é a primeira, quem é a segunda, quem é a terceira, não dá. Por várias características do exame: é optativo, nem todos os alunos fazem, há escolas que fomentam para os bons alunos fazerem, outros não. Há muitos artifícios. Uma avaliação mais justa das escolas seria fazer a relação dos alunos que ela aprova no vestibular e, desses alunos que passam, os que se formam no final do curso”, afirma.

Sobre a qualidade educacional do Nordeste e do Brasil, o professor diz que os educadores vivem uma situação difícil de trabalho. “A condição de trabalho do professor da educação básica é muito ruim. O piso salarial é muito baixo, e nem esse piso baixo é garantido por grandes estados do Brasil”, fala Nílson.

O educador comenta ainda sobre como os alunos devem se preparar para o Enem e outros exames e concursos. “A gente tem que estar estudando sempre, interessado em se expressar, compreender, argumentar, decidir, extrapolar contextos. De uma maneira genérica, não preocupar-se exclusivamente com a nota que vai tirar no vestibular”, diz.

Resposta do MEC
Procurado pelo G1, o MEC enviou como resposta às críticas do professor a nota abaixo:
“O Ministério da Educação entende que esta discussão está superada. O Enem, desde sua criação, já trazia como um dos objetivos servir para ingresso à educação superior. Ao longo de suas edições, o que ocorreu foi um aprimoramento da prova. E com a adesão maciça dos estudantes, o exame passou ainda a subsidiar políticas públicas importantes, como a distribuição de bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni), financiamento estudantil e, a partir de 2009, a disputa por vagas públicas em instituições de educação superior, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). O subsídio a políticas públicas como essas não fez com que a prova deixasse de cumprir o objetivo de também avaliar a qualidade do ensino, muito pelo contrário. E nos últimos três anos, o aprimoramento metodológico – com o uso da Teoria da Resposta ao Item – possibilizou ainda o maior apuro e análise das proficiências”.

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