Professor é diferencial em escolas com bom Pisa

PORVIR – 05/06/13  – 

A cada três anos, quem acompanha avaliações educacionais, normalmente se depara com uma notícia ruim: lá vamos nós, mais uma vez, amargar posições ruins no Pisa, que mede conhecimentos de língua portuguesa (no caso do Brasil), ciências e matemática entre alunos de 15 anos de todo o mundo. Mas se, na média, a nota dos alunos brasileiros não está lá essas coisas, há vários exemplos de escolas por aqui que não fazem feio. A professora Suely Corradini, diretora do colégio Vital Brazil, zona oeste de São Paulo, teve acesso a dados do Pisa para sua tese de doutorado e perguntou: o que fazem as escolas que se saem melhor para conseguir os bons resultados? A educadora conheceu três boas escolas de São Paulo de perfis bem diferentes e descobriu que essas instituições tinham, cada uma a sua maneira, algum cuidado especial com seus professores.

“Não existe uma resposta única nem um modelo que se possa transferir completamente. Mas um caminho comum foi o investimento nos recursos humanos”, diz Corradini. A educadora precisou pedir ao MEC (Ministério da Educação) o acesso a dados detalhados do Pisa e assinou um termo de confidencialidade em que se compromete a não divulgar o nome das escolas que estudou. Ela recebeu uma lista com algumas das melhores escolas com um bom desempenho na prova de 2009, em São Paulo, e acabou se atendo a instituições de perfis complementares.

crédito takasu / Fotolia.com

“Pesquisei três escolas bem diferentes. Uma era pública, com todas as limitações que escolas públicas têm. As outras duas eram particulares, uma pequena, com um projeto de inclusão muito forte, e outra maior, bem estruturada”, explica. Na pública, os professores eram antigos, muito apropriados do projeto pedagógico da escola e envolvidos com os alunos. Na particular pequena, uma coordenadora pedagógica bem preparada cumpria o papel de engajar o corpo docente em um objetivo comum. Na escola grande e bem estruturada, os professores tinham acesso a capacitações específicas e eram estimulados a desenvolver trabalhos diferentes com os alunos.

“A qualidade de um sistema educacional nunca é maior do que a qualidade de seus  professores”, afirma a especialista, citando um relatório da consultoria McKinsey que mostra a diferença de desempenho de alunos expostos a professores de qualidades muito discrepantes. Em sua tese, tendo identificado o professor como um fator crítico de sucesso para o Pisa, Corradini aponta sete características de que os educadores contemporâneos precisam: 1. conhecer o aluno e as etapas de seu desenvolvimento; 2. utilizar linguagem adequada; 3. ter domínio do conteúdo a ser desenvolvido e do currículo; 4. colocar foco na metodologia; 5. lançar desafios intelectuais; 6. atuar colaborativamente; e 7. ter boa gestão de sala.

A pesquisa de Corradini se voltou à análise das habilidades de leitura do ano de 2009. Apesar de estar entre os países que mais evoluíram na década, o país ficou em 53o lugar entre os 65 que fizeram parte. Na edição, mais de 20 mil alunos do Brasil e 470 mil de todo o mundo participaram da prova – o Pisa é realizado a cada três anos desde 2000 e o exame mais recente foi aplicado no ano passado, mas seus resultados só começam a ser conhecidos no fim deste ano.

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