Pesquisador cria animações em 3D para o ensino de química

Revista Educação – Marta Avancini

O recurso já foi visto por mais de um milhão de pessoas e tem como objetivo facilitar a compreensão de temas do currículo da Educação Básica

Desde 2009, o trabalho do pesquisador Manuel Moreira Baptista é sucesso na internet. Ele desenvolveu animações em três dimensões para o ensino de química no ensino médio e as disponibilizou gratuitamente. O recurso já foi visto por mais de um milhão de pessoas, superando as expectativas de Baptista. “A comunidade de químicos é pequena no conjunto da população mundial; se eu tivesse tido mil acessos já seria um sucesso”, afirma em entrevista ao site de Educação.

Graduado em engenharia elétrica, física e química pela Unicamp, Baptista também é mestre em engenharia elétrica e doutor em química pela mesma universidade. Além de pesquisador, trabalhou com softwares e lecionou no ensino técnico de nível médio. Na entrevista abaixo, o pesquisador fala sobre os cuidados necessários para o desenvolvimento de animações com finalidades didáticas e pondera as vantagens do uso da tecnologia na educação.

Suas animações já tiveram mais de 1 milhão de visualizações no Youtube. O senhor esperava essa repercussão? Que público tem se interessado pelo trabalho?

Não esperava. Considerando que a comunidade de químicos é pequena no conjunto da população mundial, se eu tivesse tido mil acessos já seria um sucesso.

A maior parte dos acessos ocorre nos Estados Unidos, principalmente por alunos e professores de nível universitário. Mas há casos curiosos, como o Paquistão, que é responsável pelo maior número de acessos por alunos de ensino de nível médio.

No entanto, as animações podem ser usadas por qualquer professor de química, pois como elas não têm narração de fundo, nem legendas, o professor pode construir o discurso que quiser para explicá-las.

Que tipo de cuidado é preciso tomar no desenvolvimento de uma animação com finalidade didática?
Quem faz animações tem a responsabilidade de corrigir distorções no ensino de química. Além de ser um recurso pedagógico, as animações também são um instrumento de investigação científica.

Os softwares de animação em 3D são um recurso poderoso que nos permite “enxergar” e modelar o mundo invisível. Por isso, quem faz animações tem a responsabilidade social e científica de se colocar à disposição da ciência para formar professores mais conceituais e alunos mais críticos. Este objetivo só será alcançado se as animações forem fiéis aos modelos matemáticos que estão por trás dos conceitos químicos.

Fala-se muito sobre as vantagens da tecnologia- no seu caso, das animações – para a educação, mas não existem riscos, desvantagens também?
Durante meu doutorado, o professor Peter Atkins, que é provavelmente um dos maiores autores de livros didáticos de química no mundo, fez uma visita à Unicamp. Tive a oportunidade de perguntar a ele qual era sua opinião sobre o uso de animações como recurso didático.

Ele observou que as animações podem contribuir para o ensino e o aprendizado de química, mas, em contrapartida, destacou algumas desvantagens. A mais polêmica é a que supõe que as animações podem destruir o conhecimento.

O professor Atkins diz que por trás dos conceitos químicos existem modelos matemáticos. E o uso de imagens, por sua clareza e poder de comunicação, podem fazer com que o formalismo matemático deixe de ser utilizado pelo professor em suas aulas.

Dessa forma, os alunos iriam aprender química com imagens e não fariam a associação com os modelos matemáticos. Se isso se confirmar, criaremos uma cultura em que os alunos, que serão os futuros cientistas, se acostumarão a pensar sem os modelos matemáticos, destruindo o processo de criação do conhecimento.

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