Pesquisa liga menor capacidade cerebral à pobreza educacional

Terra – 

Pesquisadores de uma universidade americana identificaram conexões entre o menor processamento de informações no cérebro de adolescentes e a baixa escolaridade de suas mães, em um estudo cujo objetivo era mostrar “como a pobreza molda o cérebro”. Os cientistas da Universidade Northwestern se basearam em uma pesquisa publicada há quase duas décadas que ligava a educação da mãe às habilidades cognitivas e alfabetização das crianças, o que motivou diversas teorias sobre os efeitos adversos de um ambiente empobrecido. Essa tese foi adaptada à neurociência, em estudo que será publicado na edição de sexta-feira do Journal of Neuroscience, e revela uma menor capacidade de processamento cerebral entre os filhos de mulheres com poucos anos de estudo.

“Esses adolescentes têm uma atividade neural mais ‘barulhenta’ que seus colegas de classe, até mesmo quando não são registrados ruídos”, afirmou Nina Kraus, professora de neurobiologia, que estudou a percepção de sons nos jovens. Além do maior ruído, a resposta do cérebro a discursos apresentados para adolescentes com menor herança educacional era errática quando exposta a estímulos repetidos, com menor fidelidade na recepção dos sons. “Pense no barulho neural como a estática no rádio – com a voz do locutor sendo vagamente ouvida”, disse Kraus.

A educação materna serviu como um divisor entre o nível socioeconômico dos pesquisados nesse estudo. Os adolescentes foram separados em dois grupos, de acordo com a escolaridade das mães. Foi analisado se elas tinham completado o equivalente ao ensino médio (ou menos) ou o ensino pós-secundário (nível inferior ao do ensino superior). Não apenas os jovens com menor base educacional das mães tiveram piores respostas neurais como também demonstraram pior desempenho em testes que envolveram leitura e memória.

O estudo se baseia em evidências de que as crianças de famílias de baixa renda lidam com um tipo de empobrecimento auditivo. A pesquisa anterior revelou que os jovens de famílias com maior provento são expostas a 30 milhões de palavras a mais do que as crianças de famílias que recebem apoio financeiro governamental. A redução na qualidade e quantidade da língua ouvida, além de maior exposição a sons desestruturados, podem afetar o cérebro desde cedo, segundo os cientistas americanos.

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