Opinião: Transformar o futuro da educação é tarefa da tecnologia

Computerworld – Por Fernando Munhoz * 17 de Agosto de 2015

Cada vez mais educadores se conscientizam de que é indispensável oferecer infraestrutura para suportar tecnologias aliadas à aprendizagem.

A Educação vive uma revolução silenciosa, ainda que tardia segundo críticas do modelo tradicional de ensino, e a tecnologia da informação aparece como elemento-chave para a modernização de escolas, universidades e centros de aprendizagem. Há um ano e meio, a consultoria Gartner estimou que gastos com educação online aumentarão 25% até 2017.

Parodiando a música da banda Pink Floyd  (Another Brick in the Wall): “we don’t need no education”. O conhecimento há muito tempo já não precisa ser transmitido unilateralmente, e a escola e a academia têm se curvado a um novo modelo que se vale da disponibilidade e abundância de informação em todo lugar, o tempo todo, transformadora do ser humano das mais diversas formas.

A Coreia do Sul é prova de que o caminho mais rápido para o avanço da Educação e, consequentemente, para mudar um país inteiro é a tecnologia. Lá, o governo colocou em prática nas últimas décadas seu Plano Geral para TIC em Educação e transformou os rumos de seu futuro. Hoje está entre as nações mais evoluídas na missão de educar seu povo e estimular a economia criativa.

O novo material escolar

Claro que um passo como este depende de ações integradas para mudança completa de paradigmas dos próprios educadores. Mas é tarefa das instituições de ensino viabilizar o novo acesso ao conhecimento e interagir com os meios de comunicação que o transmitem, entre eles aplicativos, plataformas colaborativas, jogos e outros recursos compartilhados por uma infinidade de smartphones, tablets e demais tipos de dispositivos móveis dos próprios estudantes.

Tal realidade abarca todos os campos do ensino, seja a distância (que depende de uma infraestrutura robusta), seja presencial.  A boa notícia é que no Brasil, cada vez mais dirigentes de escolas e universidades se conscientizam de que é indispensável oferecer infraestrutura para dar suporte às tecnologias da informação, aliadas no processo de aprendizagem.

Seja para atender as necessidades de uma geração conectada, com autonomia para aprender, seja para gerar maior oportunidades de receita à própria instituição. Quem se mantiver estático diante da revolução digital tende a desaparecer do mercado.

Centros de ensino no país investem na rede para responder a contento à tendência BYOD (Bring Your Own Device), oferecendo suporte aos dispositivos móveis por meio dos quais os alunos buscam o conhecimento. É preciso mais do que fornecer banda larga em pontos de acesso a milhares de usuários. O salto tecnológico está em, através do uso da própria tecnologia, conhecer profundamente seu público e customizar a rede a quem a utiliza.

Uso inovador

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) investiu R$ 9 milhões para remodelar sua infraestrutura de TI e nos últimos dois anos ampliou em 250% o número de usuários conectados à sua rede Wi-Fi. A instituição pública substituiu uma rede obsoleta por hardware e software, incluindo data center, switches e gestão, que permitem velocidade de acesso, disponibilidade e gerenciamento do comportamento de toda a infraestrutura. A novidade permitiu colocar em prática projetos como VoiP e Wi-Fi no Campus.

O próximo passo da Ufal é prover análise das aplicações, segurança eficiente de rede e gerenciamento unificado. Com isso, a instituição passará a conhecer o perfil dos acessos nos diferentes horários e locais, direcionar banda a determinadas aplicações, monitorar o uso inadequado, garantir a segurança da rede e customizar os serviços de TI aos alunos e docentes, de forma a integrar educação à tecnologia. Este investimento permite que o processo de aprendizagem se modifique a partir de projetos em sala de aula – ou fora dela.

No Sul do país, a Universidade de Santa Cruz do Sul segue na mesma direção. Lá, o salto tecnológico ocorreu neste ano, com a atualização do core de rede que ampliou em 10 vezes a capacidade do fluxo de informação a partir da infraestrutura que já havia sido implantada nos campi. A equipe de TI considerava esta ampliação fundamental para dar suporte à política de crescimento no acesso à rede por professores e alunos, principalmente como forma de estimular a pesquisa.

Além disso, a universidade, com 13 mil estudantes, seis unidades e a modalidade a Distância, apresentou crescimento exponencial na quantidade de acessos à rede sem fio, com aumento médio de mil dispositivos móveis por ano, atingindo picos de 6.500 conexões simultâneas que faziam a infraestrutura instalada no ano 2000 funcionar quase na capacidade máxima. Com a mudança, a instituição tem agora cerca de 5% de sua capacidade utilizada por seus públicos, dando uma ampla perspectiva de ampliação daqui para frente.

A criatividade é o motor do desenvolvimento nos dias atuais e prover infraestrutura para a tecnologia é a primeira solução para estimular criação, autoria, construção do conhecimento de forma horizontal. E prover o necessário para a interação nesta nova e diversa maneira de aprender e transformar a informação aparece como tarefa prioritária das instituições de ensino e do Estado. Aos poucos, empresários e profissionais em cargos de direção no setor vão acordando para essa realidade.

* Fernando Munhoz é gerente de Canais de Marketing da Extreme Networks no Brasil

 

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