OPINIÃO: OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA NOS SERTÕES

Todos Pela Educação – Fonte: O Povo (CE)

“É fundamental que estabeleçamos parcerias estratégicas para o desenvolvimento humano e social dos educandos e das comunidades dos sertões do Canindé”, afirma Francisco Vidal

A criação pelo Governo Federal de um novo modelo educativo institucional, isto é, dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, através da Lei 11.982,de 29/12/2008, cujo projeto político pedagógico deve ser permeado pelo eixo da inovação tecnológica e pelo hibridismo de uma formação propedêutica, humana e balizamento crítico político, faz emergir um debate mais amplo no âmbito das macro-políticas educacionais sobre a tipificação da organização pedagógica verticalizada, e seu real nível de intervenção das novas estruturas no processo de desenvolvimento sustentável dos territórios nos quais há ações estruturantes e nucleadas.

O contexto sociopolítico dos municípios dos sertões de Canindé, situados na região do semiárido, é complexo e desafiador. A região apresenta baixo índice de desenvolvimento humano (perfil de renda, saúde e longevidade), economias locais com baixos resultados em termos econômicos, além da estiagem que assola o nosso sertão.

A Educação tecnológica, protagonizada pelos institutos federais no âmbito da expansão para o interior, precisa convergir de forma integrada com políticas públicas de trabalho, ciência, inovação e desenvolvimento social, com uma perspectiva mais ampla de governança territorial, contemplando aspectos de organização social, tais como redes, normas e confiança que facilitam a coordenação e a cooperação para benefícios coletivos.

Esse processo requer novos modelos de gestão pública institucional em sua dimensão educacional. As interfaces entre políticas nucleadas de Educação e inovação tecnológica devem interagir com dinâmicas locais, estabelecendo parcerias com a sociedade e dinamizando de forma sinérgica a comunidade acadêmica na perspectiva da gestão democrática e participativa, integrando atores endógenos e exógenos. A nova Educação tecnológica também precisa interagir com os saberes populares e a integração entre intelectualidade acadêmica e a práxis comunitária no âmbito de uma planificação de desenvolvimento sócioespacial e de inclusão produtiva, a partir de vocações econômicas locais e de políticas que possam captar, de forma consorciada, oportunidades de novos negócios.

É fundamental que estabeleçamos parcerias estratégicas para o desenvolvimento humano e social dos educandos e das comunidades dos sertões do Canindé, assim como uma gestão compartilhada que potencialize os saberes locais, promovendo inclusão sócioprodutiva, mas nunca perdendo de vista o sonho, a possibilidade de fazer da utopia realidade.

Diretor eleito do campus Canindé do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará

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