O que há de novo no PNLD 2017?

PublishNews – 05/02/2015 – Leonardo Neto

Inscrições de obras podem ser feitas até 12/06

Está aberto desde a última terça-feira (3) o período de pré-inscrição para o PNLD 2017. Serão selecionadas obras didáticas do 6º ao 9º ano do ensino fundamental para as seguintes disciplinas: língua portuguesa, matemática, geografia, história, ciências da natureza, arte e língua estrangeira moderna (inglês e espanhol). Editoras poderão apresentar dois tipos de coleções. A do tipo 1 inclui livros do aluno e manual do professor impressos e manual do professor multimídia, com material correspondente ao impresso enriquecidos com conteúdos digitais como vídeos, animações que aprofundem os conteúdos apresentados no manual impresso. A do tipo 2 conta com livros e manuais impressos. As obras inscritas nessa fase serão avaliadas e, se aprovadas integrarão o Guia de Livros Didáticos 2017, a partir do qual professores e diretores elegerão os que serão adotados em sala de aula. Para se ter ideia da dimensão do programa, no PNLD 2015, foram distribuídos mais de  137 milhões de livros, totalizando R$ 401.281.458 em investimentos, segundo dados do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Para Célia de Assis, diretora editorial do Grupo IBEP-Nacional, a perspectiva é que o PNLD 2017 compre 85 milhões de exemplares, totalizando algo próximo de R$ 1 bi em investimentos. O prazo para a pré-inscrição vai até o dia 12 de junho.

Uma das mudanças mais importantes do ponto de vista das editoras foi a alteração nos requisitos de inclusão de conteúdos digitais. No PNLD 2016 o assunto já tinha motivado alguma polêmica ao prever a inclusão dos conteúdos digitais apenas para o manual do professor, que poderia usá-los em sala de aula. A justificativa, segundo apontou Maria Rocha Rodrigues, especialista no assunto e gerente editorial do Grupo IBEP-Nacional, era que o material era destinado aos alunos do Ensino Fundamental 1, muito pequenos para manusear esses conteúdos. Agora, o edital prevê novamente que o digital será apenas para enriquecer o manual dos professores, mas com uma mudança: os conteúdos digitais serão voltados exclusivamente para os professores, eliminando a possibilidade de utilizá-los em sala de aula. “Não era esperado dessa forma”, comentou Maria. “Este ano estão proibindo que o conteúdo digital chegue até o aluno. Não é para o uso em sala de aula. Do ponto de vista do método, podemos usar, por exemplo, um vídeo, mas um vídeo falando com o professor e não com os alunos”, explica Maria. A especialista aponta ainda que é uma mudança de paradigma importante para as editoras. “Todos os investimentos das editoras sempre foram voltados para conteúdos pensados para os alunos. Não que as editoras não saibam fazer o que está sendo pedido, mas é uma mudança importante”, observou Maria.

A especialista observa ainda que o edital continua prevendo a venda de livros por disciplinas e não agrupadas em áreas, como aconteceu no PNLD 2016, quando o governo integrou as disciplinas de História, Geografia e História em uma grande área de Ciências Sociais. “Nesse caso, não ter novidade é um destaque, já que se esperava que esse mesmo modelo fosse adotado para o Ensino Fundamental 2”, pontuou Maria. Por fim, a terceira grande novidade do PNLD 2017, segundo Maria Rocha Rodrigues, é a inclusão da disciplina de Artes, que é pedida em quatro volumes, para os quatro anos. “Já se esperava a inclusão dessa disciplina, mas achava-se que seria feita de forma gradual, mas o governo optou por já incluir os quatro volumes”, finalizou a especialista.

Sobre a parte técnica, Greg Bateman, colunista do PublishNews  e diretor da Hondana, observa que o manual digital do professor deve trabalhar independentemente do manual impresso, mas linkados com ele. Por exemplo, a versão impressa deve trazer ícones que remetem ao material digital, que deve funcionar off-line, sem ligações à internet. Greg observa ainda que o manual deve ser veiculado em um DVD Rom que deve operar nos principais sistemas operacionais: Windows, Linux, Android e IOS, rondando desktops, laptops e tablets. A hospedagem, distribuição, controle de acesso e atualização dos manuais são de responsabilidade do editor, que deve fornecer acesso aos seus conteúdos digitais até fevereiro de 2020.

Já do ponto de vista de conteúdos, Greg observa que o edital pede objetos de ensino que ajudem o professor a superar as limitações do material impresso e que demonstrem oportunidades de aplicar o conteúdo de forma interdisciplinar. Os vídeos, animações e áudios que enriquecem o conteúdo digital devem ainda ajudar a melhorar a compreensão dos métodos de ensino alternativos. E reforçando as observações de Maria Rocha Rodrigues, Greg aponta que não são permitidas atividades para serem desenvolvidas diretamente com os alunos, nem objetos que solicitem respostas para problemas ou atividades interativas.

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