Lógica exercitada por jogos

Daniel Castellano/ Gazeta do Povo

Brinquedos simples contribuem ainda com o desenvolvimento do poder de síntese, agilidade, estratégia, noção espacial, concentração, entre outros

Uma pilha de peças de madeira que se encaixam pode parecer pouco atrativa para as crianças diante dos multimidiáticos jogos eletrônicos. Por mais simples que pareçam, alguns desses passatempos são capazes de desenvolver o raciocínio lógico e o poder de síntese em meninos e meninas – competências apontadas por especialistas como essenciais para estimular outras capacidades.

 

Daniel Castellano/ Gazeta do Povo /

 Na prateleira

Conheça alguns jogos e seus benefícios:

Criptex

É preciso decifrar um enigma para abrir o cadeado e encontrar uma mensagem secreta. Estimula a lógica e a paciência.

Torre de Hanói

É um quebra-cabeça de três pinos com oito discos. A ideia é levar os discos de um pino a outro usando apenas duas regras. Ele é eficiente para treinar lógica e estratégia.

Sudoku tridimensional

Em uma estrutura tridimensional, a criança precisa encaixar peças em uma estrutura e a soma das peças deve coincidir com o número do vértice em que elas estão conectadas. Estimula a agilidade em cálculo e matemática, assim como a noção espacial.

Argolas de metal

Elas parecem ferros inofensivos, mas são encaixadas de forma a dificultar o desencaixe. Incentiva a criatividade, lógica, paciência e agilidade.

Molécula

É uma estrutura tridimensional com esferas e varetas que tem de se desmontada e montada novamente. Segue a mesma lógica do cubo mágico. Treina lógica, agilidade e raciocínio.

Concurso público

Como os jogos estimulam agilidade e raciocínio, algumas pessoas os usam durante a fase de estudos para concursos públicos. Na método Supera, existem turmas de adultos que estão matriculados com essa finalidade.

Onde encontrar

Em Curitiba, alguns jogos são encontrados na Feira do Largo da Ordem ou pelo sitewww.geminijogoscriativos.com.br.

Além dos populares xadrez e cubo mágico, há pelo menos outra centena de jogos que podem ser usados por crianças, jovens e adultos. Eles variam de acordo com a faixa etária e, para ter efeito, precisam ser praticados durante, no mínimo, duas horas semanais por, ao menos, três meses seguidos, segundo o diretor do Super Cérebro, Ricardo Lamas.

Cada brinquedo requer uma estratégia diferente e trabalha uma ou mais competências, como noção espacial, estratégia, cálculo matemático, agilidade e lógica. Além delas, outras habilidades mais ligadas ao comportamento e ao desenvolvimento psicológico também são estimuladas, como concentração, paciência, persistência, autocontrole, autoestima e socialização, no caso dos jogos em grupo.

“Podemos dizer que esse tipo de jogo também contribui para a educação e a disciplina das crianças”, diz Lamas. Os benefícios não demoraram a ser percebidos e existe uma variação de tempo de acordo com a criança, mas a média é de que em três meses os pais notem a diferença.

Em meio a tantas opções que parecem mais atraentes, a dúvida sobre como envolver crianças e jovens com esses jogos é comum entre pais e professores. A dica da diretora do método Supera, de ginástica para o cérebro, Andrea Valério, é transformá-los em algo lúdico. É preciso contar a história do jogo – que costuma vir junto com a embalagem – e fazer com que a criança use a imaginação para montá-lo, assim como faz durante a leitura de um livro.

Dificuldades

Apresentar um grau médio ou alto de dificuldade é essencial para que o jogo surta efeito. É comum que a criança desista antes de conseguir resolvê-lo e queira jogar algum outro. Lamas e Andrea explicam que é importante persistir, pois só assim ele vai desenvolver os benefícios. “Aqui na escola eles são incentivados a ir até o final. Às vezes, demoram dias para achar a resposta ou nem conseguem achá-la, mas são as tentativas e a concentração que contam”, explica Andrea.

Mesmo que os jogos variem de acordo com a faixa etária, a maioria deles é indicada a crianças a partir dos 5 anos de idade – existem exceções que servem até para crianças de 2 anos. E não há limite máximo de idade. Eles também podem ser usados por adultos e idosos que queiram estimular o cérebro.

Método

Brinquedos podem ser usados em casa e na escola

Mesmo com todas as vantagens oferecidas pelos jogos que estimulam a lógica, professores de Matemática e pedagogos afirmam que eles não são milagrosos e que não há estudos que comprovem que a criança não possa desenvolver as mesmas capacidades sem eles. Eles são, na verdade, um instrumento e não significam que trarão resultado efetivo em todos os casos.

“É mais um recurso dentro de um universo. Os resultados dependem também de como os professores trabalham cada jogo em sala, como exploram cada habilidade da criança”, diz a professora de Matemática da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Elisângela Campos.

Andrea Valério, diretora do método Supera, tem um filho de 4 anos, Caetano, que, fora do horário normal de aula, fica com a mãe na escola. Por ver tantas pessoas usando os jogos, ele começou a mexer sozinho e já consegue resolver alguns que são para crianças mais velhas.

Como usar

Além de escolas específicas que treinam o cérebro, como o Supera e o Super Cérebro, a maioria dos jogos tem uso pedagógico e pode ser usada pelo professor em sala de aula. Os jogos também podem ser comprados pelos pais e usados em casa. Neste caso, as formas de jogar podem ficar mais restritas, mas também terão resultados.

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