Listas de ‘dez mais’ viram uma febre de bullying nas escolas

Jornal Naciona – G1 – Edição do dia 11/06/2015

Imagens com conteúdo sexual e xingamentos usam nome e foto de jovens.
Algumas delas já deixaram até de ir para a escola.
 
Meninas e adolescentes estão sofrendo com uma exposição criminosa nas redes sociais, à ponto de algumas terem simplesmente deixado até de ir para a escola.

Os vídeos na internet têm o título “top 10”, mas não se trata de fama: é caso de difamação e virou febre em São Paulo. Tem “top 10” de escola e de bairro. São rankings que apontam as meninas que seriam as mais “safadas”. A maioria das garotas é menor de idade. As fotos que elas mesmas publicaram em redes sociais são montadas com um funk de baixo calão e legendas com xingamentos, além do nome e sobrenome delas. Os vídeos se espalharam.

“Acabou pegando em todas as ‘quebrada’, de uma foi pra outra, aí outra, adiante, aí virou moda”, conta uma pessoa que não quis ser identificada.

“Passava para entrar para escola e todo mundo aloprando. Xingando”, lembra um jovem que não quis ser identificado.

Por causa da exposição na internet, muitas meninas ficaram com vergonha de ir à escola. Algumas já estão há meses fora da sala de aula. Elas não conseguem encarar os colegas de turma e, de repente, ouvir uma brincadeira de mau gosto, que passou a acontecer desde que os vídeos foram publicados. As meninas não sabem como lidar com essa situação.

Menina: Estou sem estudar.
Jornal Nacional: Por quê?
Menina: Porque você chega dentro da escola, é uma vergonha para você. Sua mãe vai na reunião, é uma vergonha para a sua mãe. É uma vergonha para todo mundo.

A irmã de uma das garotas conta que a família toda sofre. “Meu pai ficou internado, minha mãe quase perdeu o emprego”, diz a irmã da vítima.

A psicóloga Irene Maluf diz que é difícil a vítima se reerguer sozinha. A família deve procurar ajuda.

Jornal Nacional: Tem como reverter isso?
Irene Maluf: Reverter no sentido de ser acompanhado, de ser trabalhado, de ser acudido e voltar a ter uma vida normal, sim. Apagar, não.

A advogada Patricia Peck, especialista em direito digital, orienta que a vítima fotografe a tela e procure a polícia, pode ser a delegacia da mulher. Se o autor do vídeo for identificado, vai responder na Justiça, mesmo se for menor de idade. Os pais podem ter que pagar multa. E até quem curte ou compartilha os vídeos pode ser responsabilizado. O bullying na internet causa danos mais graves.

“Por mais que você tire o vídeo de um lugar, ele pode a qualquer momento, hoje, amanhã, daqui a um ano, ser republicado e voltar de novo todo o trauma na vida das envolvidas”, afirma a advogada Patricia Peck.

“Lógico que dói, bastante”, conta uma vítima.

“Desde que aconteceu isso, eu não consigo mais… Sei lá, viver a vida em paz, feliz, sabe, eu não consigo mais. Nada”, lamenta outra vítima.

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