Jogos em tabuleiro virtual despertam interesse e estimulam aprendizado

 

Gabriela Malta Felix

Do USP Online, em São Paulo –  13/03/2013

 

Ensinar aos jovens os benefícios de uma alimentação saudável, alertar sobre os perigos da dengue, e incentivar o cuidado com o meio ambiente. Essas nem sempre são tarefas fáceis para educadores e pais, em um mundo cheio de estímulos que soam mais atraentes aos jovens.

Identificando a carência de boas soluções nesse campo, uma equipe formada por alunos e professores de grandes universidades paulistas fundou o portal Ludo Educa Jogos, que reúne jogos que pretendem educar enquanto divertem.

O site surgiu em 2010 e é uma parceira entre Unesp (Universidade Estadual Paulista), USP (Universidade de São Paulo), UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e IFSP (Instituto Federal de São Paulo). Com mais de 3 milhões de acessos, o portal pode ser considerado um sucesso.

Os jogos são uma boa alternativa ao modelo de ensino tradicional, com alunos ouvindo seus professores e tomando nota. Quando jogam, os alunos não sentem que estão estudando, mas, mesmo assim, estão aprendendo. “Já fizemos algumas experiências em escolas públicas de São Carlos com algumas turmas de alunos. De uma forma geral, foi constatado que estavam se divertindo e, enquanto se divertiam, estavam assimilando aquele conteúdo”, explica Alexandre Rosenfeld, estudante de Engenharia da Computação da USP São Carlos.

Angry Birds (http://www.angrybirds.com/): “O megassucesso “Angry Birds” virou moda entre professores de física”, de acordo com Gilson Schwartz, professor da USP (Universidade de São Paulo) e diretor da Games for Change na América Latina. No jogo, pássaros são lançados contra porcos com o uso de um estilingue – a intenção é eliminar todos os porcos. O último lançamento do jogo foi o Angry Birds Space, em que a gravidade e a atmosfera dos planetas alteram a jogabilidade  

Vestibular

Segundo o professor Elson Longo, da Unesp, o objetivo inicial do projeto era auxiliar os jovens que estavam prestando vestibular. Surgiu, então, o primeiro jogo do portal, o LudoEducativo. Como em um jogo de tabuleiro, o participante ia respondendo as perguntas e avançando na brincadeira. As perguntas, porém, reuniam conteúdo do terceiro ano do ensino médio, divididas por matérias. Atualmente, o portal conta com opções para estudantes das demais séries do ensino médio e também para alunos do ensino fundamental.

Antes da ampliação, o portal já contava com 800 mil acessos. “Além do pessoal do ensino médio, alunos e professores do ensino fundamental passaram a solicitar jogos, então decidimos incluir esse conteúdo no portal. Foi uma transição natural”, explica o professor.

O portal também é uma ferramenta para os professores. O histórico de questões respondidas pelo jogador é salvo no sistema e, assim, os professores cadastrados podem ver o desempenho de seus alunos. Pelo desempenho ele pode acompanhar como foi o aprendizado e identificar alguma falha no processo. Atualmente, há pelo menos um professor de cada estado do Brasil cadastrado, cerca de 150 professores no total.

Expandir para atender às demandas

Mas o Ludo Educa Jogos não está voltado apenas para o conteúdo escolar. O site reúne jogos sobre os seguintes temas: Meio Ambiente e Sustentabilidade, Educação Alimentar, Raciocínio e Matemática e Combate à Dengue.

Segundo Alexandre Rosenfeld, o interesse em desenvolver outros tipos de games que abordam diversas temáticas em alta no momento surgiu com a repercussão que os primeiros games educativos tiveram.

O professor Longo complementa: “se andarmos pelas ruas, é possível perceber que a alimentação da população não anda bem. Os nossos jogos sobre alimentação saudável pretendem ensinar às crianças que comer doces e gorduras não faz bem, além de estimulá-las a se alimentar melhor, consumir frutas e verduras, e se sentir bem por isso”.

Jogos eletrônicos, filmes em 3D e realidade aumentada, tecnologias que ainda são desconhecidas por parte dos jovens brasileiros são usadas em Petrópolis para ensinar física e matemática. Ao perceber que seus alunos não entendiam o que é um filme em 3D por nunca terem assistido a uma produção com essa tecnologia, o professor de matemática Guilherme Erwin Hartung decidiu mostrar a eles O Fantástico Mundo 3D. Durante as atividades oferecidas fora do horário das aulas, sem valer nota, 15 estudantes montaram um site com imagens em 3D produzidas por eles mesmos Leia mais Jefferson Coppola/Folhapress

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