GOVERNO IMPULSIONA USO DE TABLET NA ESCOLA

Fonte: Valor Econômico

MEC promete distribuir neste ano, pela primeira vez, quase 500 mil tablets

O uso de tablets em salas de aulas é alardeado há pelos menos quatro anos, mas ainda não deslanchou, nem tampouco substituiu os livros de papel. Entre os empecilhos estão a falta de um conteúdo curricular digital adequado, resistência dos Professores e custo elevado. Porém, esse cenário começa a mudar. Isso porque o MEC promete distribuir neste ano, pela primeira vez, quase 500 mil tablets e ao mesmo tempo passou a exigir que as editoras participantes dos programas de livros didáticos para Escolas públicas produzam também conteúdo digital.

Em sua primeira compra, o MEC desembolsou R$ 180 milhões para a aquisição de 460 mil tablets e outros R$ 73 milhões em conteúdos pedagógicos digitais. Em relação ao universo dos livros de papel, os valores ainda são tímidos. Para efeito de comparação, o governo comprou 130 milhões de exemplares de livros para Alunos dos 1º ao 9º anos ao custo de cerca de R$ 1 bilhão no mesmo período.

De olho no mercado que se vislumbra, editoras de livros Escolares, grupos de Ensino e até varejistas estão investindo em um conteúdo pedagógico mais interativo. O dispositivo móvel possibilita ao Aluno visualizar, por exemplo, a reação química entre os átomos de hidrogênio e oxigênio na formação da molécula da água ou ainda como é a erupção de um vulcão.

Não à toa, a varejista Fast Shop e editora EvoBooks fecharam uma parceria para venda de tablets, computadores e lousa digital com conteúdo didático “embutido” de sete disciplinas do Ensinos fundamental II e médio. “O que há no mercado são livros didáticos digitalizados, sem nenhuma interação”, disse Carlos Grieco, um dos fundadores da EvoBooks que tem 150 Escolas como clientes.

A EvoBooks foi criada no fim de 2011 por consultores da Bain Company que atuavam na área da Educação e perceberam que o tablet vinha sendo mal aproveitado em Escolas, por falta de conteúdo adequado.

Já a varejista criou em 2012 um braço de negócios especializado para atender grupos de Ensino. Batizada como Fast Educacional, essa divisão atende cerca de 50 Escolas. “Além das vendas, prestamos consultoria de como usar o tablet, computador. Muitos fabricantes, como a Apple, não dão descontos expressivos na compra de grandes volumes. A consultoria é o nosso diferencial”, explicou Karina Oliveira, responsável pela Fast Educacional.

A Estácio é uma dos pioneiras no uso de tablets em salas de aula. O grupo carioca de Ensino superior já comprou mais de 40 mil tablets com investimento de pelo menos R$ 25 milhões nos dois últimos anos. “Temos uma equipe própria com cerca de 50 pessoas que produz conteúdo interativo multimídia, como a tecnologia de games, com foco acadêmico. Pesquisa revelou que aprender por meio de jogos acelera o processo de aprendizado em até dez vezes”, disse Roberto Paes, diretor da Fábrica do Conhecimento, área da Estácio que produz conteúdos interativos.

Na primeira licitação do governo para compra de material digital, a Saraiva foi a editora com melhor desempenho. Ficou com uma fatia de 23% da compra de R$ 73 milhões feita pelo MEC no ano passado. “Acredito que o governo federal vai ser o principal incentivador da expansão desse mercado”, disse Maurício Fanganiello, diretor de novos negócios da Saraiva.

A britânica Pearson tem uma equipe com 150 pessoas pensando em conteúdos digitais. Atualmente, todo o material didático da Pearson pode ser encontrado na web, segundo Fabiana Zani, diretora de mídias digitais da companhia, que recentemente adquiriu o Grupo Multi (dono de Escolas de inglês como a Wizard) em uma transação avaliada em quase R$ 2 bilhões.

Com tais iniciativas, o tablet caminha para ser uma ferramenta que agrega efetivamente aprendizado para o Aluno.
“Quando surgiu, o dispositivo móvel era visto como uma solução para reunir todos os livros e aliviar o peso da mochila das crianças, que chega a ter 12 quilos. Hoje, sabemos que o tablet tem muitos recursos de interação capazes de aprofundar o aprendizado, instigar o estudante. O livro impresso não consegue mostrar, por exemplo, como é uma geleira”, disse Ana Teresa Ralston, diretora de tecnologia da Abril Educação.

Na opinião de Ana Teresa, outras mudanças ainda estão por vir nesse mercado. “Acredito que a próxima etapa será do auto-aprendizado. Ou seja, o Aluno fará as tarefas de casa com o tablet que, por sua vez, terá um programa capaz de corrigir essas atividades. O Professor vai ter mais tempo para tirar dúvidas dos Alunos”, destacou a diretora da Abril Educação.

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