Game, celular e tablet estarão na sala de aula em breve

Ambientes virtuais colaborativos, jogos em sala de aula e uso de dispositivos móveis, como celulares e tablets, são os aparatos que a tecnologia deve fornecer à educação brasileira no futuro próximo. É o que aponta a pesquisa Horizon Report, divulgada nesta quarta-feira, realizada pelo Sistema Firjan, que reúne cinco instituições mantidas pela indústria do Rio de Janeiro, em parceria com a News Media Consortium (NMC), instituição americana voltada à tecnologia aplicada à educação.

Lançada em 2002, o Horizon Report é uma das mais importantes pesquisas mundiais sobre o impacto da tecnologia na educação. Em 2011, reuniu 150 estudiosos de 32 países. Neste ano, pela primeira vez, o levantamento é realizado no Brasil. Trinta especialistas tiveram como missão apontar tendências tecnológicas e o provável impacto delas no ensino básico (fundamental e médio) nos próximos cinco anos.

A previsão é que, em até um ano, os dispositivos móveis sejam adotados de forma intensa no ciclo básico – nas redes pública e privada. O relatório destaca que no Brasil há 130 celulares para cada 100 habitantes, o que faria desses dispositivos uma escolha natural para o aprendizado. O celular permite ao aluno estudar sempre que quiser e onde estiver. Os diferentes aplicativos abrem a porta para inúmeras utilizações no aprendizado, afirma Bruno Gomes, assessor de Tecnologias Educacionais do Sistema Firjan.

Os games serão outra tecnologia presente nas escolas, apostam os especialistas. Enquanto os estudos mundiais indicam que os jogos educacionais só estarão disseminados nas escolas em um prazo de dois a três anos, no Brasil, isso deve ocorrer mais cedo. Os brasileiros formam o quarto maior grupo de usuários de games do mundo, e os jogos entram cada vez mais cedo na vida das crianças. Como eles já estão habituados ao uso para diversão, a implantação para fins educativos é mais fácil.

Nem tudo será festa, porém, aponta o Horizon Report. O estudo mostra que o país tem enormes desafios pela frente para a adoção adequada da tecnologia em sala de aula. O primeiro obstáculo é a dificuldade de acesso à internet. Ao comparar dados locais com os de outras nações, é assustador perceber como nossas escolas estão aquém da infraestrutura necessária, diz Gomes.

O segundo desafio – que não é de maneira alguma menos importante – é a (falta de) qualificação dos professores para comandar o uso adequado das tecnologias. É consenso entre especialistas que introduzir equipamentos de última geração nas salas de aula de nada adiantará se não houver mudanças nas metodologias de ensino, assim como na grade curricular.

Atrelado a esse obstáculo está o desafio de desenvolver conteúdos digitais adequados ao ensino. `Ainda que tenhamos infraestrutura e professores bem treinados, temos pouco material digital, como games e audiobooks, explica Gomes. Há um vasto material disponível na rede em língua inglesa. Neste caso, a barreira será o idioma.

Lecticia Maggi – Revista Veja – 21/11/2012 – São Paulo, SP

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