FTD volta ao ranking das maiores editoras do mundo

PublishNews – 26/06/2015 – Leonardo Neto

Abril Educação e Saraiva são as outras duas brasileiras que aparecem na lista

Todos os anos, desde 2007, a Livres Hebdo encomenda ao consultor Rüdiger Wischenbart uma ampla pesquisa para listar as maiores editoras do mundo. Participam do Global Ranking of the Publishing Industry os principais veículos que cobrem o mercado editorial e livreiro no mundo, inclusive o PublishNews. Fora do ranking de 2014,a FTD volta a figurar entre as maiores editoras do mundo na edição de 2015 e reaparece em 55º lugar. Os dados do relatório são referentes a 2014 e pontuaram as editoras com receitas superiores a € 150 milhões (em 2013, a FTD faturou € 143,89 milhões e por isso ficou de fora). Outras duas brasileiras aparecem na lista em 2015: Saraiva, na 54ª posição, e Abril Educação, em 56º. Clique aqui para ter acesso à tabela completa do ranking.
As receitas das 56 maiores editoras do mundo somam € 59,328 bilhões e é 11% maior do que foi em 2013. O relatório evidencia a crescente consolidação e concentração da indústria editorial em nível global. As dez primeiras colocações acumulam receitas de € 31,8 bilhões, o que corresponde a 54% de todo o faturamento apurado pelo ranking. Ou seja, as outras 46 empresas juntas faturam menos do que as dez maiores. Pertinente ressaltar que as três primeiras colocadas – Person, ThomsonReuters e  Reed Elsevier (rebatizada de RELX Group) – são editoras de educação ou de livros de técnicos e científicos. Esse domínio já era notado nos anos anteriores, mas há uma pequena mudança na ordem: a ThonsonReuters, bronze no ano passado, conquistou a prata em 2015, deixando a Reed Elsevier na terceira posição.
As editoras de interesse geral estão encolhendo em receitas. A exceção mais visível é a Penguin Random House que ganhou corpo ao efetuar as suas últimas fusões. Em 2012, faturou € 2,14 bi. No ano seguinte, saltou para € 2,65 bi e em 2014 alcançou € 3,32 bi. Mesmo com aumento no faturamento, manteve-se na inalterada quinta posição. Rüdiger observa ainda que as maiores novidades vêm da China. Duas editoras chinesas aparecem este ano pela primeira vez e, vejam só, entre as dez primeiras: Phoenix (6º lugar) e a China South (7º). “Em edições anteriores, apareceram outras duas casas chinesas – China Publishing Group (CPG) e China Media and Education [que continuam no ranking, em 15º e em 21º]. Com novos dados disponíveis, o relatório destaca a crescente presença da China na Indústria do Livro”, observou. “Importante notar que as duas novas editoras não estão sediadas em metrópoles como Pequim ou Xangai. São editoras regionais, que editam em escala maciça e com forte ênfase em materiais educacionais. A Phoenix, inclusive, já demonstrou ambições internacionais nos últimos anos ao fazer uma parceria com a Hachette”, analisou Rüdiger.
Brasil segue estável
Na avaliação de Rüdiger, a representação brasileira no ranking foi fortemente impactada em 2014 pelos efeitos cambiais de desvalorização do Real frente ao Dólar e ao Euro. A Abril Educação ilustra bem o que Rüdiger fala. No relatório de 2013, o grupo aparecia em 39º, mas caiu para 55º em 2014 e se manteve mais ou menos estável na 56ª posição na edição de 2015. O faturamento em Reais, no entanto, não justifica tal queda. Em 2014, a Abril Educação faturou R$ 522 milhões, contra R$ 509 milhões em 2013 e R$ 545,7 em 2012, conforme mostra o gráfico abaixo. De 2012 para 2013 houve uma queda do faturamento em Reais, mas dificilmente essa queda seria tão acentuada caso o relatório fosse com base na moeda brasileira, sem incluir os efeitos da desvalorização do Real. Ressaltando evidentemente que os dados se referem a 2014 e, portanto, não entram aqui a aquisição da Editora Saraiva pela Abril Educação. Pela apuração do relatório, as duas juntas tiveram receitas somadas de € 325 milhões, o que alçaria a Abril Educação à 40ª posição no ranking.
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