Estas são as 4 prioridades para a educação funcionar no país

Beatriz Souza, de Exame.com – 27/04/14

Há milhares de coisas a fazer para que alunos brasileiros compitam em pé de igualdade com estudantes de outros países. Mas estas são as prioridades, segundo especialistas

 São Paulo – A cada novo ranking internacional de educação – e a cada mau resultado do Brasil neles -, muito se questiona sobre o que fazer (primeiro) para elevar a qualidade da educação brasileira, hoje praticamente universalizada.Os números não mentem. No último ranking divulgado pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) 2012, da OCDE, o Brasil ficou em 38º lugarentre 44 países em uma avaliação de raciocínio rápido associado a problemas do dia a dia.Isso significa que na prova aplicada a estudantes de 15 anos sobre problemas matemáticos da vida real, o país teve uma média de 428 pontos, enquanto Singapura, que ficou com o 1º lugar, fez 562.

Nos resultados oficiais do último Pisa, divulgados em dezembro do ano passado, entre os 65 países comparados, o Brasil ficou em 58º lugar em matemática, 55º em leitura e 59º em ciências. Perdemos posições nas três áreas, em relação à prova anterior.

Para a pedagoga Paula Louzano, da Faculdade de Educação da USP, os péssimos resultados dos estudantes brasileiros são reflexo do atraso da agenda da educação brasileira em comparação ao resto do mundo.

“Começamos tarde na agenda da inclusão, agora estamos tentando entrar na agenda da qualidade – enquanto os paises desenvolvidos estão na agenda da equidade”, disse em debate sobre a educação brasileira realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta semana.

Das centenas de soluções apontadas para melhorar a situação, veja a seguir quatro apontadas por especialistas como prioritárias para que seja possível um salto de qualidade educacional.

1. Escolas de verdade

Só 15% das escolas do Brasil podem ser consideradas escolas no melhor sentido do termo. Isto é, têm sala de professores, sala de diretor, salas de aula suficientes, biblioteca, sala de informática e quadra esportiva – e isso sem nem entrar no mérito da qualidade desses ambientes.

Segundo Louzano, quase metade das escolas não tem nem sala de professor. “Como se faz um trabalho em equipe se não tem nem espaço para reunir os professores?”, questiona a pedagoga.

2. Envolvimento dos pais na briga pela educação de qualidade

Para Gustavo Ioschpe, economista especializado em educação, enquanto os pais não encabeçarem a briga pela melhoria do ensino, a situação não vai mudar.

“A maioria das pessoas, tanto da população comum quanto das que estão dentro do sistema educacional, não se importam se as escolas educam ou não as crianças. Elas enxergam a escola como uma forma de tirar as crianças da rua e alimentá-las. O resultado educacional é uma consequência secundária”, disse o economista no debate desta semana.

Segundo Ioschpe, embora os pais saibam que uma boa educação é importante para o futuro de seus filhos, eles ainda não se deram conta de que a escola brasileira é muito ruim.

Uma pesquisa do Inep com pais de alunos da escola pública revelou que a qualidade do ensino da escola do filho merecia, na avaliação deles, nota média de 8,6, de um total de 10.

“Esses pais precisam saber que os filhos deles estão recebendo uma educação ruim e que isso não vai mudar sem a cobrança deles”, afirmou o economista.

Para ele, a questão envolve saber como chegar a esses pais porque eles estão excluídos das discussões sobre o rumo da educação no país, quando deveriam ser os personagens principais.

3. Padrão de qualidade para a formação dos professores

“Cada vez mais estamos nos despreocupando em estabelecer um padrão de qualidade nos cursos de formação de professores”, disse Paula Louzano.

Segundo ela, mais de um terço dos professores brasileiros atualmente são formados em cursos à distância, sem nenhuma prática em sala de aula. Não é esse o padrão nos países com os melhores sistemas educacionais.

“Na relação de professor e aluno, a tarefa dada pelo professor, seu monitoramento e acompanhanmento são fundamentais para que o ensino seja efetivo”, diz a pedagoga.

É essa relação que precisa ser melhorada.

O caminho, na opinião de Louzano, não poderia ser outro senão investindo no professor – da formação universitária à carreira. Para melhorar a formação é preciso haver um controle da qualidade dos cursos de Pedagogia que estão sendo oferecidos pelas universidades e priorizar os cursos presenciais.

Os baixos salários também são parte central no processo de valorização da profissão, mas Paula destaca que mais que um aumento salarial, o professor precisa de apoio para não desistir da carreira.

4. Currículo nacional desafiador

Outro grande problema que emperra o desenvolvimento da educação no país é a inexistência de um currículo nacional unificado que determine aquilo que se deve aprender e quando.

Além disso, o currículo que se tem (ou pelo menos o que é cobrado nas provas nacionais de avaliação, como a Prova Brasil e o Enem), carecem de um caráter desafiador.

Enquanto no Canadá, 9 em cada 10 alunos do 7º ano do ensino fundamental conseguem resolver uma equação básica, no Brasil apenas 16% dos alunos do 9º ano têm o mesmo desempenho.

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