Escola não tem o poder de substituir educação que vem de casa

Gabriel Chalita  – Especial para o UOL – 03/12/14

Fico feliz ao ver quanta gente de diferentes áreas escreve e opina sobre educação. Há um movimento da sociedade, muito positivo, que acredita ser a educação a garantidora de melhores tempos para nosso país.

Todos os temas da vida humana passam pela educação. A ética depende da educação. É preciso ensinar a honestidade. O fim dos preconceitos também carece de uma educação capaz de entranhar (termo aristotélico) as mais belas verdades sobre o respeito e a convivência plural. As tantas competências exigidas por um mercado cada vez mais competitivo dependem de uma educação de qualidade. O bem escrever, o bem falar, o bem realizar conexões desenvolvendo autonomia e senso crítico também dependem da educação.

Evidentemente, a educação não é um processo que se esgota em sala de aula. Tudo educa. E tudo pode deseducar. Por isso, é preciso formar a capacidade reflexiva para discernir entre o correto e o errado. Nossa vida é determinada por escolhas. Saber escolher também depende da educação que forja nosso caráter.

O artigo 205 da Constituição Federal evidencia o necessário em um processo educativo: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

A educação é direito de todos. Isso me parece pacificado. É dever do Estado e da família. Portanto, não apenas do Estado. A família tem papel essencial assim como a sociedade. O artigo elenca, ainda, os objetivos da educação, quais sejam: o pleno desenvolvimento da pessoa, com todas as suas complexidades racionais e emocionais; o exercício da cidadania, com a compreensão e a prática de direitos e deveres; e a qualificação para o mercado de trabalho, fazendo com que se transforme informação e conhecimento em benefício para a sociedade.

Sabedores de que precisamos formar a pessoa e prepará-la para o mercado de trabalho, faz-se mister refletir sobre as formas de educar para esses fins.

Tripé da educação

Poderíamos nos deter nas estatísticas internacionais, analisando os indicadores de qualidade que mudaram o cenário de países como a Coréia do Sul e, mais recentemente, a China. Ou, ainda, trazermos um exemplo mais próximo como o Chile. Entretanto, há três pontos convergentes nesses sistemas sobre os quais educadores brasileiros já se debruçaram. Chamo-os de “o tripé da educação com qualidade”.

O primeiro ponto é o professor. Mesmo em tempos de alta tecnologia e de todo o aparato presente na sala de aula ou nos ambientes virtuais, é o professor a alma do processo educativo. E, por isso, a carreira de professor deve ser desejada, valorizada, respeitada.

Fico pasmo quando leio alguns opinantes sobre educação afirmarem que não é relevante dar um bom salário ao professor. Sejamos mais profissionais. Remunera-se muito mal o professor. E mesmo não ganhando bem, a maioria desempenha com mestria seu papel. Há, sim, abnegados que abraçam a educação como bandeira de vida e que, independentemente do quanto recebem, fazem prodígios nas salas de aula.

Precisamos de milhares e milhares de professores para atender à demanda do ensino de qualidade. E isso requer que jovens tenham o desejo de abraçar o magistério como profissão. Se não tivermos um salário digno e um plano de carreira atraente, os jovens não optarão por essa profissão. Sem professores, como vamos educar? Uma remuneração justa, uma formação continuada que garanta qualidade, atualização, entusiasmo dos que ensinam nas salas de aula presenciais ou a distância compõem o primeiro ponto.

 

 

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