Eliminar atraso na educação é desafio para os candidatos

12/08/14 – Hoje Em Dia

Valorização dos professores, ampliação do número de creches, universalização do acesso à escola, articulação entre os ensinos médio e profissionalizante. Esses são alguns dos desafios na área da educação postos aos candidatos que concorrem às eleições de outubro, de acordo com especialistas consultados pelo Hoje em Dia. Segundo eles, o Brasil ainda trabalha para alcançar metas já superadas no século passado por muitos países, embora cerca de 95% dos jovens com idade entre 7 e 16 anos frequentem a escola e as avaliações de desempenho apontem consecutivas melhoras na qualidade do ensino.
A estrada é longa e o caminho das pedras está traçado no Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado pelo Congresso e sancionado em junho deste ano. A lei estabelece 20 metas para a educação nacional a serem atingidas em um prazo máximo de dez anos.
“O desafio ainda é grande, principalmente se pensarmos que a agenda colocada pelo PNE é uma agenda que muitos países, inclusive da América Latina, cumpriram no século passado. Está no plano para a gente tirar o atraso”, diz a economista e gerente da área técnica do “Movimento Todos pela Educação”, Alejandra Meraz.
O professor da faculdade de educação da UFMG e coordenador do projeto “Pensar Educação, Pensar o Brasil”, Luciano Mendes, destaca como desafio aos futuros governantes o engajamento na articulação entre as três esferas de governo para conclusão dos planos estaduais e municipais de educação. Só assim será viável a implementação do Sistema Nacional de Educação, conforme prevê a legislação. “Isso é o que dará organicidade ao sistema e definirá a melhoria da escola pública no Brasil”, diz Mendes.
Desigualdades
A economista destaca ainda as desigualdades de condições no ensino, existentes nas diferentes regiões do país, entre brancos e negros, pobres e ricos, como uma das principais barreiras a serem transpostas por futuros mandatários na área da educação.
“É importante que as políticas tenham um olhar para esses setores que tipicamente têm um desempenho pior. Governos e União devem criar mecanismos para dar maior apoio a estas populações (negros, pobres, moradores das regiões Norte e Nordeste do país), de tal forma que se reduza a brecha entre os grupos com indicadores maiores e piores”, recomenda. Segundo Alejandra Meraz, tanto estados quanto a União têm o papel de “nivelar as desigualdades, passando mais recursos e concedendo apoio técnico para os municípios em pior situação”.
A especialista lembra que, na Educação Infantil, o maior problema ainda é o acesso, já que apenas 23,5% das crianças de 0 a 3 anos no país estão em creches. Já no Ensino Fundamental, o gargalo é outro. “O problema maior não é falta de vagas, é a população ter condições de frequentar as vagas. Famílias com maior vulnerabilidade precisam mais do que o esforço da pasta da educação, mas também da assistência social”, afirma Alejandra.
Fracasso escolar é um dos gargalos do setor
O fracasso escolar é outro gargalo a ser superado na educação brasileira. Segundo Alejandra Meraz, do Movimento Todos pela Educação, para reduzir o abandono é preciso reduzir também a reprovação. “A criança reprovada de forma reiterada tende a deixar os estudos. É preciso reforço escolar para que o aluno aprenda, de forma adequada, e se mantenha. Não basta aprovar. A criança que não tem aprendizagem também se tente desestimulada”, analisa.
Ainda no Ensino Médio, Luciano Mendes, do projeto “Pensar Educação, Pensar o Brasil”, aponta a necessidade de profissionalização do estudante. “Hoje, há ainda uma distância muito grande entre a escola e o mercado”.
No Ensino Superior, prerrogativa sobretudo da União, é preciso ampliar vagas. Segundo Luciano Mendes, a “cobertura ainda é muito pequena na comparação até com países da América Latina”.
Profissional
A formação e a valorização dos profissionais são outras grandes demandas do setor. Apesar de a maioria dos professores ter curso superior, falta qualificação continuada.
A professora da UFMG e coordenadora do Fórum Mineiro de Educação Infantil, Mônica Correia Baptista, destaca a necessidade de melhorias nos salários e condições de trabalho para tornar a carreira mais atrativa. “O professor costuma ter dupla ou tripla jornada, porque os salários são baixos”.
Para Luciano Mendes, esse cenário coloca o Brasil em uma situação delicada. “Já há falta de professores para muitos dos postos existentes. Na outra ponta faltam pessoas querendo seguir a carreira docente. Isso é prenúncio de uma situação muito ruim, já que estamos trabalhando com metas para expandir o acesso à educação”.
Candidatos em Minas apresentam propostas
Tanto os candidatos ao Governo de Minas quanto os presidenciáveis têm em suas propostas de governo ações específicas para a área da educação.
No documento apresentado à Justiça Eleitoral, o candidato da coligação “Minas pra Você”, Fernando Pimentel (PT), fala em ampliar “radicalmente” a educação em tempo integral, valorizar o professor e transformar a “escola pública em um espaço de exercício da cidadania”.
No rol de suas propostas para a área também estão a ampliação do ensino técnico e tecnológi-co, formação continuada para o professor, além da chegada à meta de 100% das crianças matriculadas na escola.
Seu principal concorrente, o candidato pela coligação “Todos por Minas”, Pimenta da Veiga (PSDB), diz na proposta de governo apresentada ao TRE que a educação “será o principal pilar da política de desenvolvimento inclusivo e sustentável do governo”. Ainda segundo o documento, “a orientação será melhorar ainda mais a qualidade do ensino, refletida nos indicadores de proficiência dos alunos, ampliar a inclusão das crianças na pré-escola, em parceria com os municípios, e desenvolver um abrangente programa de educação profissional em parceria com outros agentes”. O candidato ainda declara que será dada atenção especial às escolas públicas em áreas de grande vulnerabilidade social.
Tarcísio Delgado (PSB), candidato pela coligação “Minas quer Mudança”, diz que pretende universalizar o ensino, ampliar o tempo de estudo para 12 anos, investir na escola de tempo integral, além da valorizar os profissionais da educação, dando tratamento “diferenciado” ao magistério.

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