Educação mais próxima por meio do ensino a distância

Folha Dirigida – Educação – 11/02/14

Por – Juliana Britto – Renato Deccache

Crédito: Divulgação
O espaço da sala de aula é e sempre será uma das grandes fontes de conhecimento, tão importante como a ligação direta entre aluno e professor. Porém, fatores como falta de disponibilidade de tempo e metodologia de ensino pouco dinâmica podem representar, em várias situações, obstáculos a quem deseja aprender e se especializar. É aí que uma prática já utilizada há muito tempo ganha força: o ensino a distância. Segundo especialistas, esta modalidade de ensino, que já existe há décadas, desde a época dos cursos por correspondência, no século passado, ganha impulso cada vez maior com a evolução tecnológica.Nos últimos anos, o acesso à educação a distância, principalmente no ensino superior, passou por um processo acelerado de expansão. Dos cerca de 30 mil, no início da década passada, chegou a mais de 1 milhão de matrículas no último Censo da Educação Superior, divulgado pelo MEC. O segmento já representa cerca de 15% dos estudantes de universidades, faculdades e centros universitários de todo o país.

Para a professora Ligia Leite, que tem doutorado e pós-doutorado em Tecnologia Educacional, respectivamente, pela Universidade Temple e Universidade de Pittsburgh, ambas dos Estados Unidos, ressalta que não é justo questionar a evolução da EAD no país nos últimos anos, por conta da falta de qualidade. Na opinião dela, existe a preocupação na oferta de cursos de bom nível, tanto nesta modalidade quanto na presencial.

“Depois de quase dois séculos de sua prática, passando por diferentes gerações que acompanham o desenvolvimento tecnológico, parece que a qualidade dos cursos de EAD é tão relativa quanto a dos cursos presenciais, ou seja, encontramos cursos hoje de excelente qualidade tanto presenciais quanto a distância, assim como encontramos cursos de baixa qualidade nas duas modalidades de ensino. Certamente, a experiência que vimos acumulando com a EAD nos disponibiliza mais possibilidades de planejar e desenvolver cursos de melhor qualidade, o que não garante que isto aconteça”, ressalta a especialista, que é autora, entre outros, do livro “Tecnologia Educacional: descubra suas possibilidades na sala de aula (Ed. Vozes).”

No Brasil, instituições particulares somam o triplo da quantidades de matrículas existentes em universidades, centros universitários e institutos mantidos por governos. Para Ligia Leite, isto acontece porque o setor público ainda não incorporou a EAD às suas políticas de atuação. “Qualquer processo educativo, para ter qualidade e ser desenvolvido com ética e compromisso, precisa estar atrelado aos projetos institucional e pedagógico da instituição. Portanto, se as instituições públicas ainda não incluíram esta modalidade educativa nos seus projetos com a ênfase que a EAD vem sendo tratada nas instituições particulares, a diferença no número de matrículas deverá continuar sendo gritante”, destacou a especialista.

Outra vantagem destacada, em relação ao ensino a distância, é de permitir que brasileiros que vivem fora dos centros urbanos e regiões metropolitanas, onde o acesso à educação é maior, possam ter oportunidades de estudar e se qualificar. “A EAD tem um papel fundamental no panorama educacional atual. Ela vem se constituindo em uma modalidade educativa que permite a um contingente maior de estudantes ter acesso à educação básica e superior”, comentou Ligia Leite, salientando a modalidade a distância permite a articulação de vários recursos que podem incrementar e aperfeiçoar o ensino.

“AEAD hoje pode ser estruturada pedagogicamente de diferentes maneiras, utilizando diferentes tecnologias e variadas atividades de aprendizagem, atendendo assim a diferentes estilos cognitivos e necessidades dos alunos que optam por esta modalidade de ensino, que deve, assim como a educação presencial, primar pela qualidade pedagógica”, salienta a especialista.

No segmento de educação a distância, duas carreiras se destacam, pelo alto índice de concentração. Pedagogia registra 281.548 matriculados. Em Administração, o quantitativo é de 140.210. Juntas, as duas carreiras somam 425.758, cerca de 40% das mais de 1 milhão de matrículas em todo o país.
Doutora em Educação pela UFRJ e titular da área de Ensino-Aprendizagem da Uerj, Mary Rangel acredita que o total de matriculados nestas duas carreiras é um sinal da demanda que têm. Para ela, a tendência é que a EAD irá gerar mais interesse e demandas em outras áreas, ampliando e diversificando o percentual de matrículas. No que se refere às áreas de Pedagogia e Administração, ela sustenta que a procura deva-se ao fato de elas estarem, há mais tempo, estruturadas para oferta não presencial.

“Isto significa que têm processos e materiais já preparados para essa oferta, preservando a qualidade dos estudos. Outros cursos e instituições que tenham o mesmo interesse certamente também estarão se preparando nesse sentido”, destaca a especialista.

Estudantes falam a respeito das
vantagens do formato a distância

Embora o ensino a distância represente apenas 15,8% das matrículas em cursos de educação superior, dados comprovam que a modalidade vem crescendo consideravelmente nos últimos anos. Segundo pesquisa feita pelo Censo da Educação Superior de 2012, e divulgada pelo Ministério da Educação (MEC), a educação a distância cresceu 12,2% entre 2011 e 2012, enquanto os cursos presenciais registraram um aumento de 3,1% no mesmo período.

Contar com uma modalidade de ensino alinhada a tendências da atualidade contribui, principalmente, para a utilização intensa de tecnologia e flexibilidade do tempo dedicado aos estudos, permitindo, dessa forma, que o aluno se torne o protagonista no processo ensino-aprendizagem, sentimento esse que tomou conta da estudante Maria Inah Amaral Motta.

Desde de que começou o MBA em Marketing e Comunicação Empresarial na Universidade Veiga de Almeida (UVA), Maria Inah percebeu as vantagens da EAD, como a gestão de tempo e a liberdade de acesso aos recursos pedagógicos. “O estudo a distância é uma experiência enriquecedora, pois potencializa o acesso a assuntos de interesse, desenvolve habilidades de aprendizagem e incentiva a assumir responsabilidades. Indico a EAD para quem tem interesse em se atualizar e conquistar novas perspectivas”, diz a aluna.

A adaptação com o formato virtual do ensino pode gerar dificuldades na aprendizagem. Esse, no entanto, não foi o caso de Maria Inah, que garante não ter problema nenhum de adaptação. Para ela, o ambiente virtual é de fácil compreensão. “Não vejo nada de negativo no ensino a distância. Como toda modalidade de estudo, exige disciplina e investimentos, seja em material didático ou em equipamento tecnológico.”

A escassez de tempo é o principal motivo que leva a procura por cursos na modalidade a distância. Renato Vieira Souto confessa que não tem mais disposição para enfrentar uma sala de aula devido à correria do seu dia a dia. De acordo com o estudante, que atualmente cursa MBA em Administração de Empresas com ênfase em Gestão pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o ensino presencial está deixando muito a desejar.

“A medida que a vida passa nosso tempo fica mais escasso, em função de trabalho e compromissos. Além disso, não conseguiria enfrentar novamente uma sala de aula de maneira convencional. Na minha percepção, o ensino presencial, no Brasil, piorou consideravelmente nos últimos anos, em todos os níveis, tanto na estrutura quanto na infraestrutura”, comentou.

Mesmo encontrando certa resistência, os números revelam o aumento, quase exponencial, na procura por cursos a distância. Segundo Renato Vieira, o importante é a qualidade dos professores e um bom material acadêmico. “Independente de ensino presencial ou a distância, é a reputação da instituição e sua relevância no contexto acadêmico e mercadológico que fazem o bom ensino. A maneira como essa escola entende e transfere a educação para os alunos é o que os capacita para a transformação econômica e social.”

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Educação mais próxima por meio do ensino a distância

Por – Juliana Britto – Folha Dirigida
 
Crédito: Divulgação
O espaço da sala de aula é e sempre será uma das grandes fontes de conhecimento, tão importante como a ligação direta entre aluno e professor. Porém, fatores como falta de disponibilidade de tempo e metodologia de ensino pouco dinâmica podem representar, em várias situações, obstáculos a quem deseja aprender e se especializar. É aí que uma prática já utilizada há muito tempo ganha força: o ensino a distância. Segundo especialistas, esta modalidade de ensino, que já existe há décadas, desde a época dos cursos por correspondência, no século passado, ganha impulso cada vez maior com a evolução tecnológica.Nos últimos anos, o acesso à educação a distância, principalmente no ensino superior, passou por um processo acelerado de expansão. Dos cerca de 30 mil, no início da década passada, chegou a mais de 1 milhão de matrículas no último Censo da Educação Superior, divulgado pelo MEC. O segmento já representa cerca de 15% dos estudantes de universidades, faculdades e centros universitários de todo o país.Para a professora Ligia Leite, que tem doutorado e pós-doutorado em Tecnologia Educacional, respectivamente, pela Universidade Temple e Universidade de Pittsburgh, ambas dos Estados Unidos, ressalta que não é justo questionar a evolução da EAD no país nos últimos anos, por conta da falta de qualidade. Na opinião dela, existe a preocupação na oferta de cursos de bom nível, tanto nesta modalidade quanto na presencial.

“Depois de quase dois séculos de sua prática, passando por diferentes gerações que acompanham o desenvolvimento tecnológico, parece que a qualidade dos cursos de EAD é tão relativa quanto a dos cursos presenciais, ou seja, encontramos cursos hoje de excelente qualidade tanto presenciais quanto a distância, assim como encontramos cursos de baixa qualidade nas duas modalidades de ensino. Certamente, a experiência que vimos acumulando com a EAD nos disponibiliza mais possibilidades de planejar e desenvolver cursos de melhor qualidade, o que não garante que isto aconteça”, ressalta a especialista, que é autora, entre outros, do livro “Tecnologia Educacional: descubra suas possibilidades na sala de aula (Ed. Vozes).”

No Brasil, instituições particulares somam o triplo da quantidades de matrículas existentes em universidades, centros universitários e institutos mantidos por governos. Para Ligia Leite, isto acontece porque o setor público ainda não incorporou a EAD às suas políticas de atuação. “Qualquer processo educativo, para ter qualidade e ser desenvolvido com ética e compromisso, precisa estar atrelado aos projetos institucional e pedagógico da instituição. Portanto, se as instituições públicas ainda não incluíram esta modalidade educativa nos seus projetos com a ênfase que a EAD vem sendo tratada nas instituições particulares, a diferença no número de matrículas deverá continuar sendo gritante”, destacou a especialista.

Outra vantagem destacada, em relação ao ensino a distância, é de permitir que brasileiros que vivem fora dos centros urbanos e regiões metropolitanas, onde o acesso à educação é maior, possam ter oportunidades de estudar e se qualificar. “A EAD tem um papel fundamental no panorama educacional atual. Ela vem se constituindo em uma modalidade educativa que permite a um contingente maior de estudantes ter acesso à educação básica e superior”, comentou Ligia Leite, salientando a modalidade a distância permite a articulação de vários recursos que podem incrementar e aperfeiçoar o ensino.

“AEAD hoje pode ser estruturada pedagogicamente de diferentes maneiras, utilizando diferentes tecnologias e variadas atividades de aprendizagem, atendendo assim a diferentes estilos cognitivos e necessidades dos alunos que optam por esta modalidade de ensino, que deve, assim como a educação presencial, primar pela qualidade pedagógica”, salienta a especialista.

No segmento de educação a distância, duas carreiras se destacam, pelo alto índice de concentração. Pedagogia registra 281.548 matriculados. Em Administração, o quantitativo é de 140.210. Juntas, as duas carreiras somam 425.758, cerca de 40% das mais de 1 milhão de matrículas em todo o país.
Doutora em Educação pela UFRJ e titular da área de Ensino-Aprendizagem da Uerj, Mary Rangel acredita que o total de matriculados nestas duas carreiras é um sinal da demanda que têm. Para ela, a tendência é que a EAD irá gerar mais interesse e demandas em outras áreas, ampliando e diversificando o percentual de matrículas. No que se refere às áreas de Pedagogia e Administração, ela sustenta que a procura deva-se ao fato de elas estarem, há mais tempo, estruturadas para oferta não presencial.

“Isto significa que têm processos e materiais já preparados para essa oferta, preservando a qualidade dos estudos. Outros cursos e instituições que tenham o mesmo interesse certamente também estarão se preparando nesse sentido”, destaca a especialista.

Estudantes falam a respeito das
vantagens do formato a distância

Embora o ensino a distância represente apenas 15,8% das matrículas em cursos de educação superior, dados comprovam que a modalidade vem crescendo consideravelmente nos últimos anos. Segundo pesquisa feita pelo Censo da Educação Superior de 2012, e divulgada pelo Ministério da Educação (MEC), a educação a distância cresceu 12,2% entre 2011 e 2012, enquanto os cursos presenciais registraram um aumento de 3,1% no mesmo período.

Contar com uma modalidade de ensino alinhada a tendências da atualidade contribui, principalmente, para a utilização intensa de tecnologia e flexibilidade do tempo dedicado aos estudos, permitindo, dessa forma, que o aluno se torne o protagonista no processo ensino-aprendizagem, sentimento esse que tomou conta da estudante Maria Inah Amaral Motta.

Desde de que começou o MBA em Marketing e Comunicação Empresarial na Universidade Veiga de Almeida (UVA), Maria Inah percebeu as vantagens da EAD, como a gestão de tempo e a liberdade de acesso aos recursos pedagógicos. “O estudo a distância é uma experiência enriquecedora, pois potencializa o acesso a assuntos de interesse, desenvolve habilidades de aprendizagem e incentiva a assumir responsabilidades. Indico a EAD para quem tem interesse em se atualizar e conquistar novas perspectivas”, diz a aluna.

A adaptação com o formato virtual do ensino pode gerar dificuldades na aprendizagem. Esse, no entanto, não foi o caso de Maria Inah, que garante não ter problema nenhum de adaptação. Para ela, o ambiente virtual é de fácil compreensão. “Não vejo nada de negativo no ensino a distância. Como toda modalidade de estudo, exige disciplina e investimentos, seja em material didático ou em equipamento tecnológico.”

A escassez de tempo é o principal motivo que leva a procura por cursos na modalidade a distância. Renato Vieira Souto confessa que não tem mais disposição para enfrentar uma sala de aula devido à correria do seu dia a dia. De acordo com o estudante, que atualmente cursa MBA em Administração de Empresas com ênfase em Gestão pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o ensino presencial está deixando muito a desejar.

“A medida que a vida passa nosso tempo fica mais escasso, em função de trabalho e compromissos. Além disso, não conseguiria enfrentar novamente uma sala de aula de maneira convencional. Na minha percepção, o ensino presencial, no Brasil, piorou consideravelmente nos últimos anos, em todos os níveis, tanto na estrutura quanto na infraestrutura”, comentou.

Mesmo encontrando certa resistência, os números revelam o aumento, quase exponencial, na procura por cursos a distância. Segundo Renato Vieira, o importante é a qualidade dos professores e um bom material acadêmico. “Independente de ensino presencial ou a distância, é a reputação da instituição e sua relevância no contexto acadêmico e mercadológico que fazem o bom ensino. A maneira como essa escola entende e transfere a educação para os alunos é o que os capacita para a transformação econômica e social.”

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One Comment to “Educação mais próxima por meio do ensino a distância”

  1. Sou matemático que não completei minha formação, mas que sempre estive bastante ligado à área de ensino fundamental e médio e que gostaria de informação sobre EAD para complementação de minha formação na área e atualização continuada.

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