Educação em casa põe em xeque papel da escola

Da Agência USP

Qualidade no ensino, bullying e violência. Essas são algumas das razões que levam pais a educarem os filhos em casa e não na escola. Levantados por um estudo da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), os motivos revelam a necessidade de discutir o papel da escola como espaço de socialização e formação da cidadania das crianças e jovens.

A pedagoga Luciane Barbosa, autora da pesquisa, entrevistou quatro famílias com histórico de discussões sobre a educação em casa no Poder Judiciário. Apesar Atualmente no Brasil há registro de cerca de 1.000 famílias que optam pelo homeschooling. A prática não possui regulamentação e não é reconhecida pela Justiça.

Dados
Os dados sobre ensino em casa são fornecidos pela Associação Nacional de Educação Domiciliar (ANED), entidade que presta assessoria jurídica às famílias e defende a aprovação de projetos de lei que regulamentem o tema — desde 1996, sete propostas já passaram pelo Congresso Nacional.

Canadá

Parte do estudo foi realizado no Canadá, país onde o homeschooling é permitido. Além da motivação religiosa, o elevado custo ou ainda a presença de filhos com deficiência leva as famílias a optarem pela educação domiciliar.

Segundo os dirigentes das associações canadenses de ensino domiciliar entrevistados por Luciane, a ausência da escola não leva a uma falta de socialização. “Ao contrário, eles argumentam que a instituição escolar leva a uma socialização restrita, por segregarem as crianças por idade”, diz. “No Canadá, as bibliotecas e ginásios esportivos possuem programas voltados para ‘homeschoolers’, e normalmente os pais que ensinam os filhos em casa são filiados a duas ou mais associações do setor.”

Luciane constatou também uma preocupação dos canadenses em desenvolver a participação social dos filhos nas comunidades em que vivem, pois os pais consideram que a escola oferece um conceito de cidadania ligado apenas ao conhecimento de fatos históricos e ao exercício do voto.

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