Editorial: Currículo básico é essencial na melhoria do ensino

Fonte: O Globo (RJ)  18 de setembro de 2015

“Um ponto crucial do currículo nacional unificado é que os professores ganham uma base para orientá-los na grade de Ensino dentro das salas de aula”, afirma jornal

Os indicadores da Educação no Brasil patinam em números de uma preocupante realidade. A última avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ideb), divulgada ano passado, mostrou que o país não alcançou as metas projetadas para 2013 no ciclo final do fundamental (6º ao 9º ano) e no Ensino médio. A participação das universidades brasileiras nos rankings internacionais de excelência é pífia. Índices altos de evasão Escolar, deficiências (de material e de pessoal) nas salas de aula do Ensino médio, má formação e remuneração dos Professores também são demandas que ajudam a explicar por que o Ensino na “pátria Educadora” vive mergulhado em crises.

O caminho para enfrentar o grande contencioso do setor passa necessariamente por reformas estruturais. Um bom passo nesse sentido é a proposta do MEC de adoção de um currículo unificado para nortear o Ensino básico em todo o país, rascunhada no documento Base Nacional Comum Curricular, divulgado anteontem. O que se pretende com essa iniciativa é introduzir providências óbvias no âmbito da Educação. Entre outras, promover o diálogo entre disciplinas, garantir espaço para a regionalização curricular, orientar a reta final do Ensino médio para o Aluno concentrar os estudos em disciplinas da área que pretende cursar na faculdade etc.

Um ponto crucial do currículo nacional unificado é que os Professores ganham uma base para orientá-los na grade de Ensino dentro das salas de aula. Uma orientação objetiva sobre o que o Aluno precisa aprender. Essa não é uma preocupação gratuita do currículo unificado. É sintomático, por exemplo, que, numa pesquisa feita pelo Ibope, 92% dos Docentes consultados tenham reclamado da falta de uma base comum para o trabalho com os Alunos.

Aliás, nesta questão específica reside um previsível ponto de resistência corporativista contra a adoção do currículo básico. Para sindicatos e entidades da área, a “imposição” de um currículo unificado tiraria a autonomia do Professor. Experiências em países que enfrentaram com sucesso desafios no âmbito da Educação mostram o contrário. Em Cingapura, por exemplo, 60% do tempo de formação do Professor são destinados a abordar como dar aula, em que é essencial um guia. Há, ainda, pontos de tensão na proposta com a chamada comunidade acadêmica (faculdades de Educação/Pedagogia), em que a linha de trabalho é na sua essência teórica, sem maior preocupação com a atividade prática do Ensino.

Currículos básicos são uma realidade nos sistemas de Ensino de países bem colocados em rankings de Educação, como Coreia e Finlândia. No Brasil, a unificação está prevista na Constituição. A proposta do MEC entra agora numa fase de discussões, para ser implantada até junho de 2016. O ministro Renato Janine diz que o currículo é instrumento crucial para melhorar a formação dos Professores. Mais uma razão incontornável para que dedique o mandato à sua implantação.

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