Duas plataformas engrossam lista de videoaulas nacionais

PORVIR –  – 25/02/13 – online

A partir da hipótese de que o jovem brasileiro está cada vez mais à procura de conteúdo na web, Pedro Teberga, 23, estudante da FEA (Faculdade de Economia e Administração) da USP (Universidade de São Paulo), decidiu sair da teoria para a prática. Por meio de um projeto-piloto, decidiu abrigar 100 videoaulas no Youtube para ter um feedback dos estudantes virtuais. A iniciativa superou as expectativas do jovem. “Recebemos 300 mil visualizações em pouco tempo e um retorno muito positivo dos usuários. O que nos motivou a lançar uma plataforma para trazer mais impacto, para além dos primeiros vídeos gravados”, afirma Teberga, cofundador doPolinize, plataforma lançada neste mês, que oferece aulas on-line gratuitas com foco em alunos de ensino médio e também permite aos interessados que criem cursos – que podem ser pagos ou não –, para ensinar desde matemática e química até mesmo malabarismo.

A plataforma de Teberga é inspirada na pioneira Khan Academy, modelo criado por Salman Khan, para dar aulas de matemática, ciências, programação e humanidades – e que parece liderar um movimento de professores celebridades on-line e que vem reformulação as salas de aula em todo mundo. Apenas nos dois últimos anos, as videoaulas de Khan tiveram mais de 200 milhões de acessos por seus cerca de 10 milhões de alunos.

No Brasil, Teberga é um dos muitos entusiastas do formato idealizado por Khan. O Porvir, ao longo do último ano levantou uma série de plataformas que seguem a mesma linha como a CalculeMais, o QMágico, o Descomplica , o MeSalva! e Manual do Mundo.

Para Teberga, essas plataformas surgem como “soluções urgentes nos padrões da educação para alcançar uma sociedade mais justa”. “A educação precisa deixar de ser vista como um entrave em nossa história para passar a ser um importante fator de impulso para alcançarmos um papel importante no cenário mundial”, afirma.

“O problema não é a falta de ensino, mas a falta de acesso.”

Para viabilizar o projeto, a plataforma também oferece aulas cobradas – destinadas, à priori, a um público de nível superior. “Os professores interessados em oferecer um curso na plataforma nos contatam e depois os selecionados recebem apoio desde a confecção do material até mesmo ao pagamento automatizado das vendas realizadas”, afirma Teberga. O primeiro curso pago a ser lançado será o de direito constitucional. No futuro, ele pretende criar ferramentas que possam acompanhar a evolução do aluno como as plataformas adaptativas que dão retorno imediato sobre os desempenhos dos alunos.

No quadro

Uma das aulas gratuitas da plataforma do Polinize é dada por outro entusiasta das videoaulas. Bruno Werneck, 32, que além de estar na plataforma de terceiros em aulas de física, química e matemática, mantém também sua própria plataforma, o Kuadro.

Werneck é engenheiro formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e no início de 2012 começou sua plataforma visando levar acesso ao ensino de matemática, química, física e biologia aos estudantes de escolas públicas. As aulas são gravadas tanto por ele quanto por sua esposa Lucimara Werneck, 28, bióloga graduada pela UFMG (Universidade  Federal de Minas Gerais), que viram nas videoaulas a alternativa para levar mais acesso à educação de qualidade para alunos de escolas públicas. “O problema não é a falta de ensino, mas a falta de acesso”, conta Werneck, que assim como Lucimara, estudou na rede pública.

Sem nenhum custo, o Kuadro é aberto a qualquer escola que queria usar as videoaulas. Hoje, a plataforma tem mais de 20 mil pessoas cadastradas e um acesso diário de 1.000 visitas. Com a expectativa de produzir 30 novas videoulas mensalmente, o professor afirma que os vídeos são apenas “empurrões” no processo de ensino-aprendizagem, que deve ser pautado na interação dos alunos.

Para tornar isso possível, o Kuadro oferece outras funcionalidades, como bate-papos e fóruns autogestionados. “O intuito principal é levar ensino de qualidade às pessoas, fazer com que os alunos aprendam mais, sintam-se mais seguros e motivados nos estudos e entendam o poder de estudar em grupo”, diz.

Assim, como Khan, que depois de receber cartas de professores que diziam estar invertendo a lógica da sala de aula, Werneck parece seguir os mesmos passos. “Muitos professores já me abordaram para dizer que estão usando as aulas-online em suas disciplinas”, conta.

Compartilhar no FacebookCompartilhar no Google+Tweet about this on TwitterImprimir esta páginaEnviar por e-mail

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *