‘O melhor da educação alternativa é ter autonomia’

Porvir – 23/07/14 – 

Jovem que faz projeto de doutorado informal sobre modelos inovadores de aprendizagem para adultos vai publicar livro gratuito

Longe das bancas de avaliação e das rigorosas amarras acadêmicas, o mineiro Alex Bretas, 23, decidiu trilhar o caminho de um doutorado informal. Após quase entrar para a pós-graduação tradicional, o recém paulistano, como gosta de se definir, optou pela possibilidade de desenvolver a sua própria metodologia e dar início a uma investigação autônoma sobre novas formas de aprendizagem para adultos, batizada deEducação Fora da Caixa.  E ao invés de ter uma pesquisa publicada no banco de teses e dissertações de alguma universidade, o jovem escolheu transformar o seu projeto em um livro gratuito sob a licença Creative Commons.

“Eu vi o doutorado informal como um caminho inovador e interessante, onde as pessoas poderiam colocar no mundo os seus conhecimentos”, defendeu. Formado em administração pública e com especialização em pedagogia da cooperação, o jovem optou por basear a sua pesquisa em histórias de pessoas, redes e organizações que promovem formas mais autônomas de aprendizado. Segundo ele, a intenção é mostrar que não existem apenas projetos inspiradores com o foco em crianças, adolescentes e escolas. Partindo desse princípio, o estudo irá estabelecer conexões entre questões como a universidade no século 21, empreendedorismo, EJA (Educação de Jovens e Adultos) e a internet no processo de aprendizagem.

Entre os objetos de estudo que servirão de base para a pesquisa, estão: oTED, organização sem fins lucrativos dedicada a disseminar boas ideias; oUnCollege, movimento de autoaprendizagem criado por Dale Stephens nos Estados Unidos; o CIEJA Campo Limpo (Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos), que utiliza o pensamento de Paulo Freire para a alfabetização de adultos; a Escola de Redes, que investiga e dissemina conhecimento sobre o campo das redes sociais de forma não hierárquica; e o Programa Germinar, uma formação de líderes facilitadores que buscam novos rumos de trabalho.

De acordo com Bretas, a ideia do livro é promover um diálogo entre essas iniciativas e as suas próprias experiências, além de contar com a base teórica de pensadores como Juanita Brown, Augusto de Franco, Cristovam Buarque, Rubem Alves e Paulo Freire. “A minha intenção é costurar. Eu gosto dessa ideia de uma colcha de retalhos. É juntar tudo isso dentro de um caldeirão para poder criar alguma coisa nova.”

‘Eu vi o doutorado informal como um caminho inovador e interessante, onde as pessoas poderiam colocar no mundo os seus conhecimentos’

Além das experiências de aprendizagem que serão investigadas por Alex, a própria discussão sobre o método do doutorado informal também irá fazer parte do projeto Educação Fora da Caixa. “Eu tive vontade de incluir esse tema do doutorado informal para empoderar pessoas”, explicou, ao afirmar que esse caminho de pesquisa pode estar acessível para todos. Segundo ele, a ideia de poder construir a sua própria metodologia torna a aprendizagem libertadora.

“O melhor da educação alternativa é ter autonomia para se permitir viver por um caminho que consegue refletir a sua própria vida. A educação ‘fora da caixa’ possibilita que as pessoas sejam felizes com as suas escolhas de como desejam aprender. A grande questão não é onde você está, mas como você consegue colocar isso para o mundo”, destacou Bretas.

Financiamento coletivo

Para viabilizar a pesquisa e a publicação do livro, que deve ser finalizado até 2015, Alex decidiu recorrer ao financiamento coletivo, inspirado por outros projetos como o Caindo no Brasil, a Expedição Liberdade e o Volta ao Mundo em 12 Escolas. A intenção era de arrecadar R$ 8.908, porém, a meta foi batida com apenas 17 dias de campanha. Até agora, o projeto já contou com a participação de mais de 90 colaboradores e tem até o dia 23/8 para continuar sendo financiado. Os apoiadores podem contribuir com valores a partir de R$ 15.

Como nova meta para o projeto Educação Fora da Caixa, ele também propôs a tradução do livro para o inglês e a realização de encontros para compartilhar experiências sobre doutorado informal. Quando questionado sobre a boa aceitação da campanha pelas pessoas, Bretas arriscou: “Acho que a coisa que mais tem chamado a atenção das pessoas é essa história do doutorado informal. Existe uma certa vontade no imaginário coletivo das pessoas de poder acessar esse lugar da autonomia.”

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